Às vezes tenho que descer para voltar a subir.
Descer ao fundo dos
meus erros. Descer ao abismo dos meus medos. Descer às questões pertinentes que
(inconscientemente) finjo não existir.
Descer e aterrar na
minha impotência perante tudo e todos.
Descer…descer…
Com medo ou sem ele
a descida leva-me por trilhos desérticos, a uma sensação de vazio, de solidão,
em que até deixa de fazer sentido o sentido que dou à vida.
De repente, a
balança que me “pesa” – enquanto gente – fica descompensada e a aspereza do
mundo leva-me a repensar o “produto” em que me tornei, e, em que nos tornámos,
nós, humanos.
Todos usamos
trancas de protecção para podermos permanecer alicerçados nos pilares que
construímos e que julgamos ser a base certa para a nossa progressão, mas as
coisas do mundo são constantes ameaças à nossa estrutura levando-nos a pontos
contraditórios de pensamentos.
A dureza que me é imposta
através do que absorvo (uma realidade que não mente) repassa-me até ao tutano.
Nesses momentos a minha
fragilidade perante as situações levam-me a esta descida onde me detenho para me
entender.
As perguntas
tomam-me de assalto…
Qual a minha
contribuição para atenuar ou erradicar o que constato, ser errado?
Que uso tenho feito
do que tenho e sou? Serei exemplo, darei um bom testemunho? Partilharei o
suficiente? Calo quando devo? Silencio quando as palavras me sobram?
Questões que me
povoam nesta descida de busca em que tudo se torna inconclusivo.
Certeza, só mesmo
esta necessidade de descer levando comigo o “fio-de-prumo”: Deus!
Dulce Gomes









