"Somos anjos duma asa só e só podemos voar quando nos abraçamos uns aos outros."

Pensamento de Fernando Pessoa deixado para todos os que estão na lista abaixo e àqueles que passam sem deixar rasto. Seguimos juntos!

OS AMIGOS

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

MÊS DO ROSÁRIO

À semelhança de outras datas e ocasiões, neste mês de Outubro vamos tentar fazer uma reflexão diária sobre nossa Senhora, nossa Mãe. Todos os dias ( nos blogues que a nós se juntarem) haverá uma postagem/reflexão. Eu já disse, sim.
Mês de Outubro, mês do rosário. Saberemos nós a importância de o rezar diariamente? Ou o quanto nossa Senhora nos incitou a faze-lo em mensagens deixadas aos pastorinhos?
Vamos unir esforços para aprofundarmos um pouco mais o porquê da necessidade de entregarmos a Maria os nossos anseios e os nossos pedidos. Vamos juntar-nos e rezar juntos ao mesmo tempo que lhe prestamos homenagem e lhe dizemos: Obrigada Mãe!

A todos os blogues amigos(sem excepção) pedimos que se juntem a nós para em conjunto crescermos na fé e chegarmos mais perto de Jesus através da Sua/nossa Mãe Maria. 

Ps: Já somos nove a marcar presença. Eu, Malú, Gisele, Fá, Utília, Canela, Filipa, Ailime e a Teresinha, que sentiu o apelo para nos recrutar.
Ficamos esperando mais amigos.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

LUZ DE OUTONO


Esconde-se o sol preguiçoso
num apático sono.
É outono!
Envolvo-me nesta melancolia e
saio de mim.
Deixo-me trautear pela melodia que escuto...
Levito à mercê do que sinto
e entro neste labirinto, de silêncio absoluto.
Quem me lê ou vê que pensará?
Louca? Utópica? Que importa o que serei?
Sinto-me andorinha
buscando a luz e a vida em nova paragem...
Tal como ela sigo as coordenadas, os traços no céu
ambas partimos com destino e sem bagagem...
Eu, carrego apenas a luz que Deus me deu,
trago-a nas mãos (minhas asas).
Com elas vou tão além que
quase toco o infinito.
Não! O mundo não me retém
não permito que tal aconteça.
Se um dia calarem meu grito
que antes, eu pereça...
Continuo em debandada
e como andorinha
sou do mundo, emigrada...

Dulce Gomes

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PARABÉNS TITI !!!!


Minha querida titi,
hoje acordei com esta música no meu coração e percebi que era para ti…

Bjinhos de parabéns do coração da xubinha Nana

ABRAÇO-TE DIA...


Abraço-te dia
Quando lento me despertas
Trazendo o cunho da vida.
Suavemente me ergues
Ao romper da alvorada
Sopras as minhas velas apáticas
e contorcidas,
Entrego-as a ti, de mão beijada.
No horizonte, desponta o sol
Riscando o céu de raios doirados...
São eles a ponte para chegar à minha alma
E apagar tudo o que nela resta
De tons cinzelados...
Ensolarada
Solto brados de louvor
Deixo-me ir, ao sabor
Duma prece ou poesia.
Ornamento-as com Jesus
Que afasta de mim a noite sombria.
E num abraço
Abraço-te também, Maria...
Bom dia, dia!

Dulce Gomes

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

ESTA SAUDADE...



Porque me atormentas saudade
E me atacas sem piedade
Quando te penso derrotada?
Colhes-me sem pré-aviso e num momento impreciso
derrubas o meu escudo.
Deitas por terra, tudo!
Até as armas com as quais contra ti, luto...
Ah, tão astuta esta invasão dolente
que me oprime sem que eu a queira,
aceite ou afugente.
Olhando-me friamente, acho-me tão louca
num choro (quase) sem razão...
Verto lágrimas como um rio, frio
que me gela e inunda.
Num gesto de raiva profunda
Seco-as com a palma da mão.
Pergunto-me porque vacilo?
E me vergo sempre, ainda que inconsciente
a este sentimento, como uma redenção...
Neste sentir exacerbado, chamo-me de tola e exagerada.
Se sinto saudade é porque amo e se amar glorifica
Porque me sentirei derrotada?

Dulce Gomes

terça-feira, 14 de setembro de 2010

MARIA NOS (E)LEVA A JESUS


Fátima, Santuário de Maria.
Ali estava de novo, emocionada e grata porque meus pés estavam pisando de novo aquele chão sagrado. Desta vez não estavam ardendo de cansaço pelo caminho a pé, mas o meu coração pulava de igual forma à entrada do Santuário...Visão arrebatadora que quase me sufocou de alegria. Olhei ao meu redor e apenas disse: “Aqui estou Mãe”. Confirmei a saudade e a necessidade que tenho daquele lugar. Ali sinto Jesus, vivo! Ali senti mais uma vez Jesus, vivo, actuante, derramando graças. Ali...fui mais uma vez abençoada e confirmada...
Ali, sentada na escadaria ao lado do altar, falei com Maria e Jesus, dizendo como sentia saudade do abraço envolvente de Jesus, aquele abraço onde deixo que a minha alma descanse, recebendo o conforto revigorante do restauro. E ali, quando me apercebi, dois braços me enlaçavam profundamente...dei graças, só por aquele momento já tudo teria valido a pena...
Fiquei reflectindo como o Senhor nos move, até como nos arrasta...
Como me arrastou momentos depois, da escadaria, e me levou até à Igreja da Santíssima Trindade, como se eu tivesse asas nos pés...ainda que relutante, obedeci. No trajecto que separa as escadas até à Igreja, só pensava que estava cometendo um erro, iria perder a comunhão, tão importante, mas as pernas continuaram sem se comover e seguiram adiante.
À entrada da Igreja, pela porta principal, entreguei o meu olhar a Cristo pregado na cruz e caí de joelhos. Perdendo a noção do tempo e do espaço, recebi o entendimento do “para quê”, da minha presença naquele momento...Louvei intensamente.
Não comunguei nessa Eucaristia, mas...Jesus tinha tudo planeado e de tarde, na 2ª visita à Igreja(por vontade e necessidade da minha irmã) chegámos e estava quase terminando a Eucaristia, a minha maninha olhou-me disse-me: “ Mana, ainda vais comungar”. Nem queria acreditar...Afinal tudo estava preparado, num traço perfeito pela mão de Jesus e Maria.


Deixo aqui um pouco do que recebi neste “encontro” com Jesus e Maria...

Vinde, Maria Santíssima em nossa defesa
Desembaínha o Teu poder
Dá-nos a Tua fortaleza
Para que nos saibamos defender...
Reveste-nos de humildade
Inunda-nos de amor.
Vem Espírito de verdade
Une-nos em cumplicidade
Com a Santíssima Trindade...
Nosso escudo protector.

Escrito na Igreja da Santíssima Trindade

Aclamai Maria, será Ela o bálsamo apaziguador em momentos de confusão espíritual e a protectora fiel que vos defenderá.........

Dulce Gomes

( Este dia foi partilhado com as minhas irmãs, "xubinha" e com outros irmãos de fé a quem abraço com Jesus e Maria)

sábado, 11 de setembro de 2010

GARIMPEIROS DA VIDA


A vida assemelha-se a um rio. Sempre correndo. Frenéticamente ou devagar, mas carregando consigo uma diversidade de elementos que pelo seu tudo, se revelam numa riqueza de dádivas por onde passa e desagua.
Nós, igual a garimpeiros arregaçamos vontades e mergulhamos nele a peneira que as nossas mãos seguram.
Com vista a alcançar algo ou atingir objectivos, percorremos este rio da vida em busca do que de melhor a sua corrente nos trás. Esperando que nas nossas malhas caia uma pepita enorme chamada: Felicidade.
O que é a felicidade? Fazendo um termo de comparação, diremos que é um tesouro. Quem não o tem, busca-o ávidamente, e quem o tem, deveria perservá-lo.
Só que o conceito de “felicidade” varia de pessoa para pessoa e os valores que chegam para gaúdio de uns, não satisfazem minimamente as necessidades de outros, induzindo-os a uma correria alucinante na busca de outras margens, para alcançar o que muitas vezes já caiu na sua peneira há muito tempo.
Saberemos nós sacudir a nossa peneira de modo a que nada se perca? Saberemos olhar cada componente depositado com a sensibilidade do que pode ser proveitoso e válido para nós? Ou descartamos de imediato tudo o que nos parece pequeno, insignificante e sem brilho? Já lá diz o velho ditado: "Nem tudo o que brilha é ouro". E sabemos que, se os nossos olhos não estiverem em consonância com o nosso coração, juntando aos dois a voz da razão, somos traídos pelos mesmos, que ao ficarem ofuscados pelo brilho fazem uma avaliação precoce e irreal do que observam.
A felicidade é uma plenitude fragmentada de inúmeras partículas, que nem sempre se conseguem agregar e pela sua dissemelhança, preferimos jogar “borda fora” algumas, em detrimento de outras, perdendo com isso a oportunidade de as formatarmos com vista a atingir a harmonia.

Dulce Gomes

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

SENHORA DAS GRAÇAS



Mãos abertas para o mundo
Derramando graças, dádivas de amor
Ofertas-te a nós num abraço profundo
Revelas-te a todos em glorioso esplendor.

Olhar benevolente guardando a terra
Dissipando a dor que sem Ti, é sombria
Aplacando a ira dos corações em guerra
Apaziguando-os da raiva, numa suave melodia.

Avê Maria! O Senhor é Contigo
Bendito o Teu manto que nos protege
Feliz aquele, que de Ti é cativo
E que por teu amor caminha e se rege.

Avê Maria! Acérrima defensora
Dos pobres, fracos e oprimidos
Atenta a todo que com fervor Te implora
Ergues do chão os que estão caídos.

Bendita sejas pela intercessão
Quando a nossa oração cansada se cala.
Bendita sejas, porque na solidão
Teu regaço é a mão, que com amor nos embala.

Bendita sejas, nossa Senhora
Mãe do céu e redentora
Auréola de paz, de amor, nossa luz...

Louvada sempre sejas, Maria
Imaculada, Estrela que nos guia
Sem se cansar, até Jesus.

Obrigada Mãe pelas graças derramadas
Com amor...
Dulce Gomes

(Foto da minha sobrinha Ana. Tirada na Igreja da Visitação. Terra Santa)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

VAI-SE ANDANDO...


A minha cidade, Sines, é pequena e toda a gente se conhece. Situa-se no litoral alentejano, tem umas praias lindas que fazem as minhas delícias. Para compor e arrematar este cenário e sem desfazer, as pessoas são maravilhosas, amigas e faladoras. Mas aqui é que começa o que quero focar...
Saí como sempre faço para ir às compras e vou constantemente encontrando vizinhas, amigas ou simplesmente conhecidas a quem dou os bons-dias e pergunto se está tudo bem.
Ao fim de três respostas percebi que todas elas foram fotocópias umas das outras, fui sempre brindada com um “Vai-se andando”...E lá foram andando à sua vida. Quando me apercebi, sorri e pensei: Será que eu também respondo assim? Levei a peito essa curiosidade. Mais à frente e conforme ia dando a salvação, cheguei à conclusão que a minha boca também fugia para o “Vai-se andando” e não fora ter posto o meu cérebro de sobreaviso, tinha saído igualzinho sem tirar nem pôr. Para ser original e não cair na tentação do “Vai-se andando”, fiquei-me pelo “Mais ou menos” e “Cá se vai indo”. Aí é que ri de mim mesma e falei para os meus botões: “Boa Dulce, que original me saíste”.
Mas neste “Vai-se andando”, se eu resolver puxar a conversa e perguntar: “E a sua saúde, como vai?”. O “Vai-se andando” dá lugar ao: “Ah, muito mal, infelizmente” e a conversa estica como elástico e pega como cola de contacto. Eheh...
Mas não é que tenho sempre a minha paciência a ser posta à prova? E pondo a dos outros também... É que quando me apercebo também eu estou esticando e falando sem calar a matraca?
E não é que quando chego a casa, já atrasada, para não variar, estou com um sorriso? Salvo excepções...Mas pronto. Não há nada a fazer, eu sou igualzinha e respondo da mesma forma, acrescento só mais duas palavras: “Vai-se andando na graça de Deus”.  
Sou alentejana, sinieense e "caramuja". Tudo isto com muito orgulho.
Só mais uma coisita: Não pensem que os alentejanos andam a passo de caracol, quanto muito, por aqui, anda-se a passo de caramujo.


Ps: (Para quem não sabe, os naturais de Sines são apelidados de caramujos. Isto é que é original, ou não é?:)

Dulce Gomes

domingo, 5 de setembro de 2010

EIS-ME AQUI SENHOR...


Eis-me aqui Senhor...
Aceita a minha presença
Ainda que nada te diga.
Passeia-Te em mim
Lê o meu coração
E a minha mente, suspensa...
De onde se desprendem palavras
 Como flocos de neve
Que por incompetência
Não consigo juntar...
De duração tão fugaz e breve
Que se desfazem antes de as conjugar...
Eis-me aqui Senhor...
Vazia, mas tão plena de certeza
De que o meu coração bate por Ti.
E que este fogo que me invade
É fruto da forte e suave saudade
De algo que experimentei
Quando Te conheci.
Eis-me aqui Senhor...
Entrego-Te o silêncio
Do meu coração contrito e mudo.
Que não traz como escrito
Frases feitas nem decoradas
Nem têm para Te apresentar
Apenas obras por Ti aprovadas.
Aqui estou Senhor...
Sou só eu.
Entorpecida pelo mundo e pela vida...

Dulce Gomes 

domingo, 29 de agosto de 2010

QUEBRANDO CORRENTES


 

Quanto mais avanço mais perguntas me faço e consequentemente mais exijo de mim.
Tenho medo de errar! Não só nos actos mas também nos pensamentos e julgamentos. Essa postura leva-me a que diversas vezes tropece nas minhas incertezas em relação ao que é e não parece e ao que parece mas não é.
Não tenho a capacidade nem o discernimento de ver a verdade em cada atitude ou acção nem tampouco a destreza de dizer tudo o que penso, mas para agravar tudo isto acrescento uma boa dose de culpa e arrependimento quando tenho a coragem de o fazer...
Para resumir: seja qual for que seja a minha atitude em relação a algo, nunca é isento de batidas aceleradas que me provocam sentimentos controversos. São nesses momentos, mas não só, que olho Jesus e lhe peço que escreva no meu coração a verdade e que me dê de forma inequívoca a certeza para o meu dilema. Nunca fico sem resposta. Jesus vem em meu auxílio através da Sua palavra, que pode chegar até mim de várias maneiras e que me induz a tomar a atitude escolhida por Ele. Quando assim acontece vem munida de tal certeza que dissipa qualquer dúvida. Mas até mesmo nessa confirmação se levanta um último ponto: nem sempre o que Deus quer de nós é a nossa primeira escolha (que quase sempre é a mais cómoda), nem sempre o que nos dá como resposta está em consonância com a leitura por nós feita. Neste “confronto” Deus induz-nos ao arrojo nos nossos actos, nas nossas palavras, de forma a intervir prevalecendo a Sua vontade. Incita-nos a ser as Suas mãos, a pregar a Sua palavra e a cumprir na íntegra o plano que desenhou para nós.
Jesus disse: Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz mas a espada. Mt10,34.
Durante muito tempo não entendi estas palavras. Hoje entendo! Jesus veio desinstalar-nos no intuito de nos incitar a quebrar as nossas correntes e segui-Lo. Convida-nos a assumir um compromisso ainda que para isso tenhamos que enfrentar um caminho recheado de tribulações e renúncias dos nossos hábitos e vontades. É o desembainhar da espada! Que ressalta quando temos que tomar uma posição firme embora difícil e contra a corrente que se nos apresenta. Mas que quando Deus nos enche de certeza, dá-nos em vez de uma felicidade efémera uma paz duradoura e consistente, enchendo-nos o coração de tranquilidade, libertando-o das amarras a que está sujeito quando nós não nos assumimos. Seguir Jesus, implica continuar, ainda que a progressão seja feita de avanços e recuos, provações,dúvidas ou certezas.
Tudo é devidamente compensado por Aquele que nos ama de forma incondicional: Jesus!

Obrigado Senhor!

Dulce Gomes

terça-feira, 24 de agosto de 2010

COMO PROMETIDO...

O TORA



Tal como foi prometido por mim aqui está a apresentação formal do novo membro da família. Chama-se Tora. Qualquer semelhança com um gremlim ou um E.T. é pura coincidência. É abastado de orelhas mas para compensar é isento de pêlos, o que considero uma vantagem porque não faz alergias.
A fim de não ferir a sua sensibilidade peço contenção no conteúdo dos vossos comentários porque há a hipótese de como retaliação ele vos aparecer, assombrando os vossos sonhos. Já me estava esquecendo de dizer... é um GATO! Foi uma aquisição com o propósito de fazer companhia à Himé, mas...são quase como o cão e o gato. Resultado? A Himé está passando férias na minha casa para evitar os stresses entre os dois. Quem ficou a ganhar fui eu:)
Digam lá se não formam um casal lindo?

Dulce Gomes

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

"PLANO B"

DE REGRESSO

Num intervalo de doze dias andámos por aí (eu e o meu marido) à descoberta. Partimos de carro numa viagem há muito alinhavada e com objectivos bem definidos: chegar até à Suíça e pelo meio subirmos os Alpes e os Pirenéus. Ele de bicicleta e eu de carro, claro.
As malas foram feitas quase à última hora, porque, julgava eu, esta viagem não tinha vindo na altura mais propícia para mim. Estava tão bem no meu silêncio, num silêncio cúmplice, profundo e tão intimista onde por momentos deixa de existir matéria restando apenas a essência. Silêncio que sempre me transporta muito para além do explicável ou entendível e a que chamo “encontro”.
Encontro com Jesus!
Foi com este estado de espírito que com grande esforço me desarradei para o reboliço da pré-viagem. Questionei-me até: para quê esta retirada? Receei não ser uma boa companhia e que a viagem fosse uma barreira, um travão para a continuação deste estado de alma. Mas confiando que tudo tem um propósito entreguei tudo em Suas mãos.
Neste contraste de vontades, lá partimos.
Hoje, fazendo um balanço destes dias cheguei à mesma conclusão de sempre: Deus é bom e sabe bem melhor do que nós quais as nossas prioridades.
Há fases em que nos deixamos absorver por tudo e todos. São os desafios, as tribulações, o dispêndio de querer estar sempre no sítio certo com a atitude e a palavra certa, o receio de falhar... Tudo isto são metas a que nos propomos mas que se não fizermos uma boa gestão delas somos engolidos pelas mesmas. Quando nos apercebemos estamos sem força anímica para conseguir sair do buraco onde caímos. Só com o auxílio de Deus nos erguemos de novo e sinto que esta retirada foi a continuação de todo um plano minucioso e estratégico que Ele me preparou. Uma espécie de “plano B”.
Nem sempre conseguimos alcançar a grandiosidade das dádivas que Deus nos dá e a rotina faz o resto quando teima em esbatê-las impiedosamente, reduzindo a nossa atenção para com elas. Todas as plantas precisam de cuidados permanentes, mas temos a tendência para quando as vemos bem enraizadas descurar a sua rega achando que nunca morrem. Podem não morrer mas ficam estioladas pela falta de cuidados.
Estes dias foram acima de tudo preenchidos de paz e serenidade. E aquele receio de esta viagem se revelasse um travão ao meu estado de alma era infundado porque agora percebo que a segunda parte do plano não era só para mim, mas também para um dos maiores tesouros que tenho: o meu marido.
Obrigado meu Senhor!


TÃO PERTO DO CÉU

 
 
 
 

Pic Aiguille du midi (Chamonix, França)

Dulce Gomes

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

TRAVESSIA DESÉRTICA


Estou...
Algures, entre a linha ténue que me separa da realidade e a entranhada e enigmática vontade de aprofundar o meu eu e Tu, Jesus.
Estou por aí...na leveza que me eleva com uma facilidade quase surreal, trazendo um desassossego que me é familiar e que começa sempre com um vazio preenchido de coisa nenhuma. É nesse ponto exacto que estagno porque esbarro na minha pequenez perante Ti. É nesse ponto que reconheço que deixei ressecar tudo o que me dás.
Nesse desértico sentir, acrescentaste o deserto das palavras que deixaram de fluir. Apagaste-as, quando num remoinho as dispersaste como folhas ao vento. Sobraram apenas as frases que o meu cérebro já decorou à muito para Te pedir socorro e os estilhaços resultantes dos meus sentimentos que se fragmentam pela incapacidade de os expressar, fugazes, mas tão doridos pela incerteza e pelo fraco discernimento que tenho da Tua Palavra,  até Aquela que eu julgava entender Senhor.
Nesta travessia, sei que Tu estás comigo. Porém, não consigo sentir-Te nem ver-Te. A certa altura, é lançado no meu caminho uma nuvem de poeira que se eleva como uma muralha, não me deixando enxergar.
Eu estou...Tu estás...Tu vês-me, mas eu não Te vejo...
Essa tempestade  interior, não são mais que os detritos que vou acumulando dentro de mim sem o cuidado de os sacudir, então deixo-me inundar até que transborda. Neste processo, obrigas-me a olhar cada grãozinho de pó entranhado, a pegá-los, a desfazê-los...
São tantos Senhor...
Mas sabes meu Jesus, a travessia está chegando ao fim. Mandaste em meu auxílio os Teus anjos. Ainda que inerte, senti-lhes todos os "passos". Deixei de resistir e a fragilidade/fraqueza engrandeceu, entre as trevas brilhou uma luz: a Tua meu amigo!
A esta entrega Senhor, chamas humildade. Essa palavra que se torna para mim um espinho pela dificuldade que sabes que tenho para lidar com ela. Tomo-a tão a peito quando estou na posição de me dar e volto-lhe as costas quando preciso receber. Senhor...este orgulho que teima em fechar as minhas mãos a outras que se dispõem, este orgulho, que apesar de lhe conhecer as consequências teimo em não superá-lo...
Perdoa-me Senhor, sei que Te decepciono tanto...
Quando insisto em lamber as minhas feridas e nem as mostro para que ninguém ouse tocá-las. Perdoa-me Senhor, se no meio do meu caminho só me habituei a ser a rocha onde poisam as aves para descansar dos vendavais, esquecendo que também sou ave, as minhas asas também se cansam e precisam dum rochedo para se que restaurem. E Tu Senhor, pões à minha disposição um mar de rochedos plantados por Ti...

Obrigado Senhor!

Dulce Gomes

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

FORÇA LUZENTE



Que não se calem os silêncios que me falam
Em palavras sonantes que não digo
Onde as minhas mãos predestinadas, embalam
Traindo os segredos que trago comigo.

Que não se vá esta força luzente
Que me despe das vestes onde me escondo
E pondo a nu, o que não olho de frente
Me expõe a verdade sobre a qual, tombo.

Que não se extinga a penumbra da noite
Nem a lua, as estrelas, no céu gravadas.
Nem o deslizar das nuvens que num açoite
Enchem a minha noite de cores ensolaradas.

Que não se perca em mim por mais que doa
O saber abraçar tudo o que magoa
Ou a capacidade de verter uma lágrima contida.

Que não se perca em mim a vontade de sorrir
De olhar o sol, de amar, ou apenas ir
À luta, em todas as curvas da vida.

Dulce Gomes