"Somos anjos duma asa só e só podemos voar quando nos abraçamos uns aos outros."

Pensamento de Fernando Pessoa deixado para todos os que estão na lista abaixo e àqueles que passam sem deixar rasto. Seguimos juntos!

OS AMIGOS

Mostrar mensagens com a etiqueta sonetos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sonetos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 6 de março de 2013

GOTAS DE POESIA


A todos os amigos que continuam sentando neste degrau vou deixando as partilhas possíveis; 
Aquelas com que o Senhor me inunda e quer que extravase.
Que a nossa Quaresma seja meditada, rezada e partilhada com verdade...


Trago nas mãos gotas de poesia
Libertas dum lago que (em mim) extravasa
Pingos que reparto com a folha vazia
E a enchem à medida que a minha alma vaza

Correm as linhas salpicando segredos
Que por prudência preferi guardar
Mas quando sei, as pontas dos meus dedos
São uma extensão deste lago por partilhar

Desisto de obstruir a sua passagem
Que se alastra para lá de cada margem
Enchendo o vazio das minhas mãos que se agitam

Poisando nas palavras outrora escondidas
São como gaivotas desabridas
Dançando no silêncio das rimas que gritam

Dulce Gomes

sábado, 1 de dezembro de 2012

NOVO AMANHECER



Tal como o sol, também nós temos que nos erguer todos os dias. Então que nos levantemos brilhando:)

Um bom fim de semana deixando entrar a Luz do Advento





NOVO AMANHECER…
Dissipam-se as vestes da noite
Que por tantos dias me revesti
Restam as sombras que num açoite
Deixam a nu as penas com que me cobri

Com o romper da nova aurora
Rasgos de luz riscam o infinito
Adormeceu a lua, que sem demora
Levou  em silêncio o som do meu grito

Ó dor que dói, sem  que  a veja
Pesar que mói onde quer que esteja
Divagando  entre a lucidez e a ilusão

Mas já lá vem um novo amanhecer
Tecendo na alma um entrelaço de saber
Apagando os porquês de cada questão

Dulce Gomes

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

COISAS DE OUTONO...



Tal como as árvores que se despem sem pudor
Ou as aves que mudam de veste sem se cobrir
Vou jogar fora as penas gastas já sem cor
Junto com a folhagem ressequida do meu sentir

E assim como um rio fluindo sem se deter
Nos obstáculos onde poderia pernoitar
Vou dizer ao Outono que pode chover
E se quiser leve o sol para lá do mar

Porque já dancei à chuva com um sorriso
Já me perdi entre tormentas e o paraíso
Ri como quem chora, gritei como quem emudece

Que importa se o Outono se veste de cinzento
Se me açoito como tintas ao sabor do vento
E me pinto e revisto dos tons que mais me apetece



Dulce Gomes

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ROUBA-ME…



Rouba-me o que julgo ser meu
E a trave que não me deixa enxergar
Implanta-me na alma que tudo é Teu
Até o ar que me deixas insuflar

Que me admita como um pequeno nada
Que não cresce nem floresce se não souber
Que preciso de luz, de água e ser dotada
De humildade para o reconhecer

Rouba-me a ousadia improcedente
De que por respirar e ser gente
Adquiri sabedoria para tudo decifrar

Como se eu não soubesse, de antemão
Que não basta ver uma luz na escuridão
Tenho que ser capaz de a alcançar

Dulce Gomes

segunda-feira, 30 de julho de 2012

SALPICOS...




Às vezes sou onda com salpicos de vida
Seixo que rebola e se esmerila nos tombos…
Areia onde espraio a minha dor despida
Sol desbotando a cor dos meus rombos

Sou o sal grosso donde retiro
O tempero mediador que me amansa
No mesmo chão agreste onde me firo
Rasgo de alegria em passos de dança

E num bailado de alva espuma
Deixo cair pedaços de erosão
Que se reduzem a coisa nenhuma

Miscelânea que quando me agita
Renova o bater do meu coração
Num novo pulsar que a viver me incita

Dulce Gomes

quinta-feira, 21 de junho de 2012

ANTEVISÃO






Um dia…
Serei lembrança fugaz e espaçada
Flutuando na memória do tempo
Obra escondida que de tão acovardada
Ancorou no cansaço que agora invento

Serei ampulheta que a vida encravou
Pondo fim ao toque inato dos meus dedos
Prosas e rimas que Deus me segredou
Sucumbiram à força da mordaça e do medo

Um dia, não serei mais verso batendo no charco
Nem folha em branco onde demarco
Os inquietantes silêncios do meu “eu”

Serei ponto final, última linha
Dum livro que se fecha, vida minha
De pontos e vírgulas que o mundo esqueceu


Dulce Gomes


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

PEDRA ANGULAR


Esculpida pela vibração da vida
Polida à força pelos vendavais
Sou como seixo que o bater lapida
Quando colide contra os corais

Tal como um diamante em bruto
De brilho desprovido, ainda assim…
Pego neste exíguo tributo, dou-to
Molda-o como barro, forra-o a cetim

Porque sem Ti, sou obra sem arte
Que o escopro da vida estilhaçou
Abandonado em qualquer parte…

Contigo, sou pedra angular
Rejeitada, que a Tua mão cinzelou
Com um esmeril de luz, até a diamantizar

Dulce Gomes

A pedra que os construtores rejeitaram, veio a tornar-se pedra angular (Sl 118:22).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

NOITE CALADA



É minha noite calada, um rio
Roçando as margens dos meus sentidos
Na aguagem silenciosa, leva os gemidos
Que se perdem no vácuo, escuro e frio

Dormente caudal onde me navego
Insónia dos meus encontros, guarida
Afogo a madrugada entorpecida
Com ela, os espólios do desassossego

Quase dia, num chegar leve
Um incolor filamento de neve
Desliza na janela do meu olhar

Não sei se é a raiz do meu pranto
Se fruto da Luz do meu encanto
Mas é tão salgado como o mar…

Dulce Gomes

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ENTREGO A DEUS



Gira o mundo sem complacência
Numa rebelião que não venço
Deponho as armas a esta evidência
Nele não me encaixo, nem sei se pertenço…

Mundo que, por demais abrangente
Embala e adormece os meus sentidos
Apagando os meus passos tão subtilmente
 Deixa um rasto de pedaços distorcidos

Mas, por mais que pareça inatingível
 Sei que a Deus nada é impossível
Quando o Seu olhar para mim se ergue

Porque, até o clamor mais silencioso
Soará a um grito vitorioso
Quando a ELE, tudo é entregue.
Dulce Gomes

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PARABÉNS SOBRINHA QUERIDA



Quisera fazer-te um poema
Mas faltou-me a inspiração
Parece que me deu uma "branca"
Por falta de oxigenação

Estou num sufoco danado
Nada encaixa nem faz sentido
parece que tudo me foi sugado
E está irremediavelmente perdido

E assim vou neste arrasto
Sem inspiração: tema tão gasto
Porém, teimo escrever para ti

Abro-te os braços num abraço
Sabes que moras no meu espaço
"Xubinha querida", parabéns da titi

sábado, 16 de julho de 2011

INSÓNIAS



Despede-se a noite silenciosa e lenta
Espreguiçando sem pressa na escuridão
Ainda a cortina cerrada se adensa
Fustigando o negrume em saudação

Aos poucos rompia a cor da aurora
Matizando o céu a negro e fogo
O sono teimou em tardar na hora
E nesse entardecer, era dia de novo

Uma ave ensaiou o seu canto
Com acordes roucos, soando a pranto
Num aconchego cúmplice que me circunda

A brisa salgada e o rugido do mar
Vivificam o fôlego do meu respirar
Semente de vida que me fecunda


Um desabafo madrugador e transparente do estado de espírito dos últimos dias... e noites também:)).
Preocupação e sentido de dever que me retira da "normalidade" e que deve enviar o sono para uma qualquer galáxia tão distante que não o consigo alcançar. A estas noites, chamo-lhes "noites peregrinas", assemelho-me a uma sombra vagueando pela casa, "peregrinando" pelas sendas do silêncio que me levita o espírito e clareia a mente.
Mas não fiquem em cuidado porque a minha sanidade mental está bem, está só em estado de descompressão...

Esta a Palavra que o Senhor me deu para hoje:
"Só em Deus descansa a minha alma;
Dele vem a minha salvação.
Só Ele é o meu refúgio e a minha salvação,
a minha fortaleza: jamais serei abalado."
Salmo 62,2


Ps: A Fatinha foi operada, correu bem e encontra-se bem disposta e cheia de força e fé. Obrigada meus amigos por estarem presentes em oração por esta/s amigas.)
Dulce Gomes

domingo, 10 de julho de 2011

TRAÇOS VIVOS



É densa a neblina que me reveste
Tecendo fios de luz envergonhados
Por entre a folhagem ondulante do cipreste
Focam o meu caminho de raios doirados

Trazem a Palavra que em mim condenso
Rompendo o véu de bruma, cinzenta
Asas em chama que escrevo por extenso
E rasam a minha alma de suave tormenta

Sigo os traços vivos deste rumo
Emaranhado novelo em desaprumo
Onde pernoito, madrugo e espero...

Sejam eles o pincel da minha essência
Tingindo de fortaleza esta dormência
Porque seguir-Te, é tudo o que mais quero.  


Dulce Gomes


EU TE BENDIGO Ó PAI!


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

RASTO



Procuro no meu rasto
O que a minha memória desbotou
E das marcas circunscritas dos meus passos
Restam pedaços que o tempo não levou.

Peço-lhes que me falem de mim
Sem qualquer pudor ou cuidado
Desbravando do principio ao fim
Cada pedacinho por mais fragmentado

E contam-me de passos firmes e incertos
Tropeços, espinhos, travessias, desertos
que se vistos apenas à luz da razão...

Ter-se-iam perdido como palha ao vento
Deles não sobraria nenhum fragmento
Para contar porque piso o Teu precioso chão…

Só por e para Ti, meu Querido, Precioso, Amigo, Jesus...
Obrigada!

Dulce Gomes

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

UM SÓ E DEUS



Somos verso dum poema inacabado
Palavras que sempre ficam por dizer
Passos em curso num caminho já trilhado
Página dum livro ainda por escrever.

Somos a semente rasgando o solo
Buscando o sol num doce vaivém
Somos ave que se agita num voar tolo
Chama que arde porque o amor a sustém.

Somos mar e rochedo, suave batida
Onda que se estende na areia, entorpecida
Confiando em segredo, sonhos só seus

Somos ventos amenos e temporais
Que se cruzam e completam de tão desiguais
Porque colhem a brisa soprada de Deus.

Como hoje é um dia especial...
Fica aqui este registo dedicado ao meu marido

Dulce gomes

(Foto da mana bé)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

MANHÃ DE CHUVA



Acordou o dia ensolarado. Espreitei pela janela e um mar de prata inundava a rua ainda molhada. No céu, em corropio, as nuvens num bailado constante e ao fundo a visão dum mar rebelde de um azul sem par, tão brilhante. Acho que a minha alma cantou por dentro e de bochechas coladas no vidro, fiquei olhando a imponência do vento…
Que força tem esta maravilha; puxa e empurra, move e sustenta, leva e trás e ninguém o vê, mas só porque se sente toda a gente reconhece a sua existência e crê…
Já a minha mente divagava em desnorte, quando por entre telhados um arco-íris se formou. Calei a voz, arrebatada por tanta beleza, bendizendo a minha sorte... De alma presa ao momento fui atrás do pensamento, que veloz, correu tanto ou mais que o vento.
Num rodopio e antes de me recompor já meu peito dilatava ao sabor da mensagem que chegava num sopro de luz e cor…

Estou no vento que escutas e sentes
No arco-íris que olhando, te extasia
No mar de prata duma rua sem gente
E nos salpicos das ondas, cheirando a maresia.

Estou na nuvem que corre veloz
No cantar da ave que te desperta
Estou na mensagem que te embarga a voz
Quando o silêncio se enche da Palavra certa.

Estou nos montes, vales e rios
No horizonte delineado como um fio 
onde o sol se esconde para lá do céu.

Estou nas coisas que crês porque vês
Nas outras que, porque não vês não crês
Estou em tudo, porque “O TUDO” Sou Eu!

O céu manifesta a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra das Suas mãos.
Salmo19,2

OBRIGADA SENHOR, POR TUDO! 
 
Dulce Gomes
 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ENQUANTO...



Enquanto o sol espreitar no horizonte
Abrindo a fresta dos meus sentidos
E o vento acariciando a minha fronte
Soe como melodia aos meus ouvidos…


Enquanto o mar me cobrir de rebentos
Temperando as dores que não me desfaço
E a espuma que se dissolve em fragmentos
Alise a areia por onde passo…


Enquanto uma gaivota me prender o olhar
E a luz do céu me inebriar
O meu horizonte não será miragem.


Faço da Palavra a minha ponte
E ainda que das alegrias a dor desconte
Valerá a pena seguir viagem.

Dulce Gomes