"Somos anjos duma asa só e só podemos voar quando nos abraçamos uns aos outros."

Pensamento de Fernando Pessoa deixado para todos os que estão na lista abaixo e àqueles que passam sem deixar rasto. Seguimos juntos!

OS AMIGOS

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

HÁ EM TI...





Há em Ti um sol poente
Um rio que nasce e corre até mim
E minh`alma sedenta
Enlaça a Tua corrente
Na ânsia de ser foz, margem ou nascente
Tudo o que quiseres ser em mim...

Dulce Gomes

sábado, 22 de dezembro de 2012

UM SANTO NATAL





Sem inspiração nem vontade de a procurar
A minha mente
é um rasto de pegadas desarrumadas
que teimo em perfilar…
À semelhança de outros Natais
O tempo – de mim – não se compadeceu.
Voou e expirou na espera da inspiração
que não chegou...
Restam-me palavras simples e banais;
Gastas e batidas
Onde poiso os meus dedos adormecidos
Pelas incongruências da vida.
Que me atordoam ao ponto de me cortar a inspiração
Mas nunca a vontade
De querer viver um Natal de verdade
Com Jesus no coração

A todos os amigos 
SANTO NATAL

Dulce Gomes

sábado, 15 de dezembro de 2012

TRANSPARÊNCIAS


Da varanda do meu olhar
Toco um pedaço de céu
Que de cinza se pintou
Retoco o silêncio, num arrepio...
E na transparência deste sentir
(Num deslize suave e leve)
Caem gotas como neve
Inundando o espaço vazio
Cingindo o meu "tudo" num doce convergir...

Dulce Gomes

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

PROPAGAR A PALAVRA NO ADVENTO

De mãos dadas na propagação da Palavra



"O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lhes vós também."
Mateus 5, 30

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ADVENTO. VAMOS CAMINHAR?



Uma ideia/sugestão da nossa amiga Utilia:




Palavras da Utilia


Meus queridos amigos(as) companheiros de caminhada “DE MÃOS DADAS NA CAMINHADA”:
Estamos no Advento, e há uns anos que Jesus pela PALAVRA e pela HERANÇA que nos deixou nos convida a partilharmos algo em conjunto. Gostamos de caminhar juntos(as) somos de vários cantos de Portugal e doutros países, mas temos algo em comum: O Amor de Deus.
E neste Amor que temos às palavras da PALAVRA quero fazer um convite muito especial a todos: que, com a Diocese de Aveiro, em 11 DE DEZEMBRO 2012 cada um de vocês envia uma frase Bíblica, aquela que durante toda a vida lhe tocou mais o coração ou aquela que nesse dia lhe parecer mais adequada, a um familiar, a um amigo, ou a um blog amigo, ou a um amigo no facebook, ou por mail, ou mesmo de boca.
Não se esqueça de mencionar o capítulo e o versículo da Bíblia em que se encontra a citação.


E então, vamos lá? É já na próxima terça-feira...

sábado, 1 de dezembro de 2012

NOVO AMANHECER



Tal como o sol, também nós temos que nos erguer todos os dias. Então que nos levantemos brilhando:)

Um bom fim de semana deixando entrar a Luz do Advento





NOVO AMANHECER…
Dissipam-se as vestes da noite
Que por tantos dias me revesti
Restam as sombras que num açoite
Deixam a nu as penas com que me cobri

Com o romper da nova aurora
Rasgos de luz riscam o infinito
Adormeceu a lua, que sem demora
Levou  em silêncio o som do meu grito

Ó dor que dói, sem  que  a veja
Pesar que mói onde quer que esteja
Divagando  entre a lucidez e a ilusão

Mas já lá vem um novo amanhecer
Tecendo na alma um entrelaço de saber
Apagando os porquês de cada questão

Dulce Gomes

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

DORMÊNCIA...






Hoje rasgo o véu da dormência e acordo o que embalei num sono – à força – dentro de mim.
De repente amordacei a dependência da escrita porque as palavras caídas nas minhas mãos traziam uma carga demasiada intensa de sentimentos que optei por não partilhar. Mas escrever é o alimento da minha alma e o sopro que a faz respirar, e neste momento sinto-a anémica e sem oxigénio. Conheço-lhe os sinais…
As razões que me levaram ao silêncio mantêm-se as mesmas e iguais, quem mudou fui eu.

Às vezes a vida chama-nos e exige-nos uma resposta afirmativa com tudo o que somos e temos e, embora o nosso coração se atordoe e mirre pelo receio de não atingir as expectativas criadas, não há como rejeitar o que nos cai nas mãos.
Mas são nestes momentos que reconhecemos a elasticidade dum ser humano; a capacidade de nos distendermos para dar tudo sem reticências nem pontos de interrogação…

Na realidade a mudança acontece – e falo apenas por mim – quando se aceita, se abraça e se entrega com e por amor, a cruz que nos pesa.
Mas esta aceitação não tem nada de altruísta, por quanto a minha alma “luta” interiormente e se rende à evidência de pouco ser e nada saber; só mesmo esta certeza de que – ainda que as tribulações da vida me cerquem ao ponto de me silenciar – Jesus continua a encher-me da Sua Palavra que me vai fortalecendo os passos e apontando o rumo.
Hoje só reitero a frase que deu o mote ao começo de tudo: 
Só por Ti Jesus

Dulce Gomes

(A todos os amigos que passam por este meu degrau e acederam ao meu pedido de oração, o meu obrigada. A minha sogra continua acamada, e, contra tudo o que se esperaria, estabilizou o seu estado, graças a Deus. Este meu regresso à escrita, talvez passe por testemunhar alguns momentos desta travessia em que todos nós temos sentido a presença de Jesus no meio de nós...)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

PEÇO ORAÇÃO



"Às vezes é preciso quebrar os elos que nos prendem às emoções...despejarmo-nos de nós..."

"Quebrar" parece ser a que mais se adequa ao meu estado de espírito. 
Quebro por falta de coragem, por cansaço, por tristeza; Quebro o que sinto para me reerguer...
Mas restauro as forças na certeza da presença de Deus em todos os momentos, principalmente os mais difíceis.

Meus amigos, a minha querida sogra está na recta final da passagem da sua vida terrena. Não tenho palavras para descrever o que sinto/sentimos e nem coragem ou vontade de o fazer, mas voltei ao meu degrau para vos pedir que rezem por ela. Para que o Senhor tenha misericórdia e que a nossa Mãe Santíssima a assista nos momentos derradeiros...

Obrigada e um dia voltarei...

Dulce Gomes

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

VAZIA...


Muitos dos meus "silêncios" foram partilhados neste espaço...
Neste momento a minha alma grita em silêncio, "silêncios" que não 
encaixam no meu doce e amado Degrau...
Por isso, vou fazer um interregno que durará o tempo que Deus quiser. Estar nas Suas mãos é o que mais quero.
Obrigada a todos os que se sentaram neste degrau e souberam interpretar as razões da minha escrita.
Deus vos abençoe * 



Até lá, vou transformando fraquezas em forças; lágrimas em sorrisos e pondo à prova a minha capacidade de inverter o sentido de marcha dos meus sentimentos que teimam em arrastar-me para um fosso onde eu não quero nem posso cair, porque embora tenha pouco para dar, sei que esse “pouco” é imprescindível para quem o recebe…

Dulce Gomes

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

COISAS DE OUTONO...



Tal como as árvores que se despem sem pudor
Ou as aves que mudam de veste sem se cobrir
Vou jogar fora as penas gastas já sem cor
Junto com a folhagem ressequida do meu sentir

E assim como um rio fluindo sem se deter
Nos obstáculos onde poderia pernoitar
Vou dizer ao Outono que pode chover
E se quiser leve o sol para lá do mar

Porque já dancei à chuva com um sorriso
Já me perdi entre tormentas e o paraíso
Ri como quem chora, gritei como quem emudece

Que importa se o Outono se veste de cinzento
Se me açoito como tintas ao sabor do vento
E me pinto e revisto dos tons que mais me apetece



Dulce Gomes

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ROUBA-ME…



Rouba-me o que julgo ser meu
E a trave que não me deixa enxergar
Implanta-me na alma que tudo é Teu
Até o ar que me deixas insuflar

Que me admita como um pequeno nada
Que não cresce nem floresce se não souber
Que preciso de luz, de água e ser dotada
De humildade para o reconhecer

Rouba-me a ousadia improcedente
De que por respirar e ser gente
Adquiri sabedoria para tudo decifrar

Como se eu não soubesse, de antemão
Que não basta ver uma luz na escuridão
Tenho que ser capaz de a alcançar

Dulce Gomes

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O QUE SERIA DE MIM SEM FÉ?



Neste exato momento me pergunto: O que seria de mim sem fé?
E num rebobinar de rostos com os quais já me cruzei, vem à minha memória situações e gentes que afirmam não crer em Deus. Sigo adiante reforçando esta pergunta pertinente: Como seria eu sem fé?
Para muitos a minha fé poderá ser interpretada como uma fraqueza.
Quem sabe irão mais longe e me carimbam com um rótulo de fanática ou dependente, mas eu continuo firme na mesma busca de ajuda porque é desta mesma “dependência” que me alimento, é nela que me firmo e liberto das amarras das “cruzes” que me aprisionam e roubam o meu tempo impedindo-me de o canalizar para coisas que em princípio me dariam mais prazer.
Ninguém gosta de tropeçar nas provações; ninguém deseja que lhes caiam nas mãos situações onde o “dar tudo” nem sempre chega para preencher o vazio existente de tantas mãos que precisam das nossas; ninguém procura para si tribulações desgastantes que sugam as nossas forças e nos asfixiam no poço da tristeza perante o confronto com o lado mais negro da vida.

Porém, ainda que não desejadas, todos – um dia – iremos embater violentamente na impotência da nossa pequenez perante as mesmas e nesse momento quem não for capaz de humildemente olhar o Céu em busca da Sua Luz, perecerá ante as suas próprias trevas.
Porque o deus superior que muitas pessoas julgam ser, não passa dum deus limitado e menor que se quebra como argila seca à primeira queda.

Hoje direciono a minha oração para todos os que não crêem, ou pensam não crer. E também para que a fé dos que já a possuem, corra veloz como água serpenteando as colinas, sem se deter nos obstáculos...
Que a mão do Senhor se estenda e apare todas as nossas quedas para que o embate seja minimizado e por consequência, menos doloroso.

Termino com este provérbio:
 “Confia no Senhor de todo o coração e não te apoies na tua própria inteligência.” Prov 3, 5


 Dulce Gomes

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

DEIXA-ME FALAR-TE SENHOR...




Deixa-me falar-te Senhor…
Das horas mais difíceis dos meus dias
Da rudez dos momentos
e da impotência perante os mesmos…
Das esperas desesperadas…
Das mudanças que tardam…
Das respostas que não tenho…
Dos locais onde não chego…

Deixa-me falar-te Senhor
Do que sinto, do que me preenche
Do que me tomba, do que me ergue
Do que me ilumina, do que me escurece
E do meu interior que se torna albergue
de mil e uma questões.
Dói-me a dor, o desamor, a violência
A doença, a fome, a guerra…
Dói-me um olhar frio, uma palavra enraivecida
A injustiça, a intolerância…
Congelo perante um coração vazio
Esbarro nos conceitos caducados
E nos preconceitos ultrapassados 
que tresandam a bafio...
Tanta verdade perdida
Tanta mentira a proliferar
Tantas almas enegrecidas
Porque não sabem ou não querem amar…

Pergunto-Te Senhor:
Estarei a exagerar?

Onde fica a essência do ser
Neste mundo que só quer ter, ter
Doa a quem doer
Sem a menor contemplação?
Todos os meios justificam os fins
Os valores ardem como capim
Em violenta combustão…

Peso os "porquês" e os "para quês" que se perfilam
dentro de mim...
Pergunto-Te: Porque tem que ser assim?

É nestes momentos Senhor
Que mergulho, mergulho bem fundo
E consigo calar o mundo
Neste espaço só meu e Teu.
O tempo deixa de existir…
E mais parece um contra-senso
Porque é deste tempo inexistente
que me alimento…
E a Tua vontade é o meu reassumir
que me faz voltar
à minha condição de ser “gente”

Dulce Gomes





quinta-feira, 30 de agosto de 2012

DESCREVER E LER O MEU PAI...


Eu e o meu pai


Desde que apurei o gosto pela escrita que se aguçou em mim a vontade de escrever as histórias da história de vida do meu pai.
O seu carácter sensível e bondoso, frágil e lutador, aliado à criança que preservou dentro de si, foi talvez a fórmula certa que usou para atravessar os inúmeros e áridos desertos dos seus 87 anos. Um poço de vivências repletas de sabedoria que transporto e guardo dentro de mim.
Há algum tempo que comecei a juntar este espólio sem lhe esconder o propósito, embora ache que ele nunca me levou a sério – até porque nunca se apercebeu que eu escrevo – mas os seus olhos brilham de cada vez que o levo a desfiar as suas memórias e esses momentos vão recheando de conteúdo a minha própria história.
Pelo meio informo-o dos avanços da minha escrita, mas, porque nunca gostei de ler em voz alta para ninguém – por ser lamechas e emotiva – também nunca lhe li na íntegra o que já escrevi sobre ele…até ontem…

Veio visitar-me e atacou assim:
-“Uma vizinha disse-me que me viu no computador”
Em alerta mas escondendo o pânico interior, retorqui com a calma que pude:
 “O pai sabe que eu estou registando em escrita a sua história, não sabe? E também sabe que eu partilho com amigos, no “computador” as mesmas…”
“Pois…sei…mas como é isso, mostra lá…”
Senti que o momento que adiei consecutivamente tinha chegado. Enquanto fui em busca do computador exercitei e estimulei a minha coragem ao mesmo tempo que tentava abrandar as batidas do meu coração, mas cá dentro só dizia: e agora?

Poisei o computador e abri as fotos ao mesmo tempo que ia identificando cada uma com a respectiva história, até que me disse:
- “Lê essa”
Era precisamente a que escrevi contando de forma sucinta a sua história desde menino. Respirei fundo e comecei – pensava eu – cheia de coragem.
Ainda mal tinha começado, o meu pai interrompeu-me com um choro convulsivo, profundo e sentido que me cortou a coragem em pedaços…afaguei-o já sem me esforçar para ser forte e ficámos os dois ali, abraçados com longos intervalos entre os parágrafos para nos recompormos, mas chegámos ao fim. Um fim que – sei – foi um início.
Levei-o à porta num abraço e na despedida disse-me assim:
“O pai já te contou aquela, de como se escondia do avô para não levar “porrada”?”
Respondi que não…
“Atão dexa tar que quando cá vier vou contar…eu fui um menino muito maltratado…”
Com a lagrimita a assomar, mas orgulhoso, finalizou:
“Mas ainda cá tô e tenho as minhas três filhinhas que foi a melhor coisa que Deus me deu”

Obrigado pai…

Dulce Gomes

sábado, 25 de agosto de 2012

RESISTIR...




Às vezes preciso parar.
Parar sem cruzar os braços
Tampouco para desistir
Mas para observar todos os ângulos do meu caminho
Incluindo o que ficou para trás
E nesse balanço retrospectivo
Vi que nunca estive só
Há sempre um ombro amigo
Uma palavra,
Uma luz na penumbra do meu sentir
E se há tempestades que me sacodem a fortaleza
Paira cá dentro a certeza
De que uma força maior
Me mantém de pé
E me ensina a resistir…

Dulce Gomes

domingo, 19 de agosto de 2012

O MEU CAMINHAR...



O meu caminhar?
É feito de silêncios confidentes
Anónimos, invisíveis
Como o vento que se sente e não se vê…
Sigo de mansinho
Rumo à Luz crescente
Num esforço para aceitar
Todo aquele que não crê…
E vou assim na tormenta agitada
Dum cabo difícil de dobrar
E no intervalo de cada passada
Repouso suavemente
na certeza do Teu olhar

Dulce Gomes

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

GRATIDÃO




Um dos meus primeiros gestos ao acordar é abrir a janela e debruçar-me – em silêncio – no parapeito predisposta a consentir que a natureza me fale. Abstenho-me do betão e dos fios de electricidade que me circundam e fixo-me mais além, por entre a fresta que me abre ao horizonte e me agita a dormência com pinceladas de existência.
Estes pequenos momentos alimentam e repõem no meu coração a gratidão pelo dom da vida. Dádiva que por ser efémera merece de mim um acréscimo de vibração que me prepara para receber o presente de mais um dia como uma página em branco onde me defino, depuro e apuro.

Ser grata é a base para desenvolver o que tenho e sou com um olhar desprendido do meu umbigo, porquanto confirmo a minha pequenez; é permitir que a vida me abane interiormente sem ficar inerte perante a necessidade de recuo ou avanço; é conseguir a proeza de exultar de alegria diante de pequenas coisas e sentir-me abençoada perante elas.

É que estar vivo é muito mais do que nos mexermos como autómatos à espera do fim anunciado; Estar vivo é descruzar os braços e estende-los em busca de outros e prosseguir com a certeza de que Aquele que nos deu a vida caminha connosco.

Fica esta frase do Monsenhor Jonas Abib:

"Senhor dá-me a graça de ser, hoje, tudo aquilo que eu devo ser".


Dulce Gomes




segunda-feira, 30 de julho de 2012

SALPICOS...




Às vezes sou onda com salpicos de vida
Seixo que rebola e se esmerila nos tombos…
Areia onde espraio a minha dor despida
Sol desbotando a cor dos meus rombos

Sou o sal grosso donde retiro
O tempero mediador que me amansa
No mesmo chão agreste onde me firo
Rasgo de alegria em passos de dança

E num bailado de alva espuma
Deixo cair pedaços de erosão
Que se reduzem a coisa nenhuma

Miscelânea que quando me agita
Renova o bater do meu coração
Num novo pulsar que a viver me incita

Dulce Gomes

sábado, 28 de julho de 2012

VALE A PENA ESCUTAR...

Gostaria que todos os amigos que por aqui passam escutassem este testemunho que descobri por acaso num grupo católico no facebook. 


 

Que ele contribua para clarificar os pontos obscuros da nossa parca sabedoria e nos ajude a procurar e seguir apenas o verdadeiro Caminho: JESUS!

sábado, 21 de julho de 2012

OLHARES DE SOL E MAR

Lagoa da Sancha. Ao fundo o mar do Norte



A necessidade de contacto com o mar é um dos – muitos – pontos que temos em comum, por isso deixamos que a vontade nos guie até ao areão grosso da nossa praia de eleição – Praia do Norte – e vamos “correr a costa”. 

O olhar aguçado e experiente pelas muitas incursões feitas, conhecem de cor as dunas doiradas, os lagos, lagoas e poços; cada rocha, cada recanto; Os nossos ouvidos interpretam de cor a melodia das ondas soando num cântico indomável, convidando a um silenciar total, enquanto no horizonte passam velas libertas em busca do açoite dos ventos…

Nesta invulgar extensão de beleza quebra-se o silêncio pelo ranger dos nossos passos que se enterram quase até aos tornozelos e pelo piar constante das gaivotas que se espreguiçam em voos rasgados confirmando que o céu é para quem tem asas e que a nós, resta-nos arrastar o cansaço pelas falésias e dar asas à imaginação através dos seus trajectos.

Esta sensação de pequenez cimenta-se na constatação de que somos apenas mais uma entre milhões de espécies viventes. Insignificantes grãos de areia partilhando um pedaço de universo.


Ninho de maçaricos



Neste “correr de costa” a nossa atenção foi direccionada para um casal de maçaricos que piando aflitos no ar, comunicavam – entre si – numa linguagem codificada. Pelos movimentos, soou-nos a um alerta mútuo provocada pela nossa presença intrusa.
Os maçaricos (pequenos pássaros que chocam os seus ovos em cima de moitas no cimo da praia) de forma clara adoptaram uma estratégia inteligente para nos dissuadir de prosseguir. Depois dum frenético bater de asas poisaram os dois, e, enquanto um caminhava à nossa frente sempre à distância para nos despistar, o outro seguiu para o cimo da praia em direcção ao ninho para resguardar o seu bem mais precioso.

Olhamo-los, primeiro com surpresa e depois com respeito.
Seres tão pequenos, camuflados e quase imperceptíveis na diversidade imensa da natureza e capazes de gestos tão grandes, verdadeiras lições gratuitas de defesa e preservação da vida ainda que em formação.

Tudo isto se encontra à distância dum olhar mais atento, que por sua vez nos amolece a alma e nos abre o espírito para absorver da natureza mãe os “nutrientes” que nos alimentam e fazem pulsar mais forte a razão da nossa existência.

E nós, “grandes” seres dotados de raciocínio, diminuímos num todo quando renegamos o nosso poder instintivo, aquele que nos trás a espontaneidade das decisões e dos gestos que são – no fundo – o catalisador natural que transforma as pequenas em grandes coisas, saciando a nossa fome de viver…
Basta-nos tão pouco para ser felizes…porque complicamos? Talvez porque não somos como os maçaricos…


Dulce Gomes

sexta-feira, 13 de julho de 2012

ATÉ ONDE...


Por vezes a palavra "desistir" martela violenta e persistente na mente. De tal forma ganha espaço que comprime e estrangula a intrínseca e natural capacidade de continuar.
Mas daí até à rendição ainda vai um longo caminho , porque desde o primeiro sopro ao  último suspiro só Deus comanda...



E eu quero deixar-me ir até onde Deus me levar...

DULCE GOMES


quarta-feira, 4 de julho de 2012

RAZÕES...






Hoje não vou deixar impune

As razões que me doem

Vou enfrenta-las de alma afiada

Com as armas das minhas mãos

E deixar que a ponta dos meus dedos

Sejam lâminas contundentes

Fragmentando sem piedade

Todas as razões da minha razão...

Dulce Gomes


sábado, 30 de junho de 2012

CONSTRUÇÃO







Estridente o grito do mundo.
Por vezes soa tão violento que se sobrepõe ao meu esforço de o escutar e entender. Nestes momentos, o meu inconsciente toma o leme da minha própria barca e remete-me ao cativeiro como um abrigo compensador da agitação à minha volta…
Torno-me invisível, inaudível e quiçá incompreensível...
Vagueio pelas ruas do meu próprio silêncio onde nunca me perco por mais emaranhada que seja a teia tecida pelos labirintos das palavras que jorram como um puzzle por construir.
Construo-me nas pedras deste silêncio.
Construo-me sem esquemas premeditados; Sem máscaras ou feitiços; Sem pactos com o que rejeito.
Construo-me na verdade de cada “pedra” que encaixo nas paredes da minha alma onde moram os alicerces que não posso deixar esmagar. Esse sustentáculo – VERDADE – é a pedra angular da minha construção permanente. Sem ela seria apenas mais um ser incauto que se rende à ingenuidade de embarcar em todos os "gritos" - até os mais subtis - que perfuram os valores a troco de nada...

Dulce Gomes