"Somos anjos duma asa só e só podemos voar quando nos abraçamos uns aos outros."

Pensamento de Fernando Pessoa deixado para todos os que estão na lista abaixo e àqueles que passam sem deixar rasto. Seguimos juntos!

OS AMIGOS

domingo, 29 de agosto de 2010

QUEBRANDO CORRENTES


 

Quanto mais avanço mais perguntas me faço e consequentemente mais exijo de mim.
Tenho medo de errar! Não só nos actos mas também nos pensamentos e julgamentos. Essa postura leva-me a que diversas vezes tropece nas minhas incertezas em relação ao que é e não parece e ao que parece mas não é.
Não tenho a capacidade nem o discernimento de ver a verdade em cada atitude ou acção nem tampouco a destreza de dizer tudo o que penso, mas para agravar tudo isto acrescento uma boa dose de culpa e arrependimento quando tenho a coragem de o fazer...
Para resumir: seja qual for que seja a minha atitude em relação a algo, nunca é isento de batidas aceleradas que me provocam sentimentos controversos. São nesses momentos, mas não só, que olho Jesus e lhe peço que escreva no meu coração a verdade e que me dê de forma inequívoca a certeza para o meu dilema. Nunca fico sem resposta. Jesus vem em meu auxílio através da Sua palavra, que pode chegar até mim de várias maneiras e que me induz a tomar a atitude escolhida por Ele. Quando assim acontece vem munida de tal certeza que dissipa qualquer dúvida. Mas até mesmo nessa confirmação se levanta um último ponto: nem sempre o que Deus quer de nós é a nossa primeira escolha (que quase sempre é a mais cómoda), nem sempre o que nos dá como resposta está em consonância com a leitura por nós feita. Neste “confronto” Deus induz-nos ao arrojo nos nossos actos, nas nossas palavras, de forma a intervir prevalecendo a Sua vontade. Incita-nos a ser as Suas mãos, a pregar a Sua palavra e a cumprir na íntegra o plano que desenhou para nós.
Jesus disse: Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz mas a espada. Mt10,34.
Durante muito tempo não entendi estas palavras. Hoje entendo! Jesus veio desinstalar-nos no intuito de nos incitar a quebrar as nossas correntes e segui-Lo. Convida-nos a assumir um compromisso ainda que para isso tenhamos que enfrentar um caminho recheado de tribulações e renúncias dos nossos hábitos e vontades. É o desembainhar da espada! Que ressalta quando temos que tomar uma posição firme embora difícil e contra a corrente que se nos apresenta. Mas que quando Deus nos enche de certeza, dá-nos em vez de uma felicidade efémera uma paz duradoura e consistente, enchendo-nos o coração de tranquilidade, libertando-o das amarras a que está sujeito quando nós não nos assumimos. Seguir Jesus, implica continuar, ainda que a progressão seja feita de avanços e recuos, provações,dúvidas ou certezas.
Tudo é devidamente compensado por Aquele que nos ama de forma incondicional: Jesus!

Obrigado Senhor!

Dulce Gomes

terça-feira, 24 de agosto de 2010

COMO PROMETIDO...

O TORA



Tal como foi prometido por mim aqui está a apresentação formal do novo membro da família. Chama-se Tora. Qualquer semelhança com um gremlim ou um E.T. é pura coincidência. É abastado de orelhas mas para compensar é isento de pêlos, o que considero uma vantagem porque não faz alergias.
A fim de não ferir a sua sensibilidade peço contenção no conteúdo dos vossos comentários porque há a hipótese de como retaliação ele vos aparecer, assombrando os vossos sonhos. Já me estava esquecendo de dizer... é um GATO! Foi uma aquisição com o propósito de fazer companhia à Himé, mas...são quase como o cão e o gato. Resultado? A Himé está passando férias na minha casa para evitar os stresses entre os dois. Quem ficou a ganhar fui eu:)
Digam lá se não formam um casal lindo?

Dulce Gomes

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

"PLANO B"

DE REGRESSO

Num intervalo de doze dias andámos por aí (eu e o meu marido) à descoberta. Partimos de carro numa viagem há muito alinhavada e com objectivos bem definidos: chegar até à Suíça e pelo meio subirmos os Alpes e os Pirenéus. Ele de bicicleta e eu de carro, claro.
As malas foram feitas quase à última hora, porque, julgava eu, esta viagem não tinha vindo na altura mais propícia para mim. Estava tão bem no meu silêncio, num silêncio cúmplice, profundo e tão intimista onde por momentos deixa de existir matéria restando apenas a essência. Silêncio que sempre me transporta muito para além do explicável ou entendível e a que chamo “encontro”.
Encontro com Jesus!
Foi com este estado de espírito que com grande esforço me desarradei para o reboliço da pré-viagem. Questionei-me até: para quê esta retirada? Receei não ser uma boa companhia e que a viagem fosse uma barreira, um travão para a continuação deste estado de alma. Mas confiando que tudo tem um propósito entreguei tudo em Suas mãos.
Neste contraste de vontades, lá partimos.
Hoje, fazendo um balanço destes dias cheguei à mesma conclusão de sempre: Deus é bom e sabe bem melhor do que nós quais as nossas prioridades.
Há fases em que nos deixamos absorver por tudo e todos. São os desafios, as tribulações, o dispêndio de querer estar sempre no sítio certo com a atitude e a palavra certa, o receio de falhar... Tudo isto são metas a que nos propomos mas que se não fizermos uma boa gestão delas somos engolidos pelas mesmas. Quando nos apercebemos estamos sem força anímica para conseguir sair do buraco onde caímos. Só com o auxílio de Deus nos erguemos de novo e sinto que esta retirada foi a continuação de todo um plano minucioso e estratégico que Ele me preparou. Uma espécie de “plano B”.
Nem sempre conseguimos alcançar a grandiosidade das dádivas que Deus nos dá e a rotina faz o resto quando teima em esbatê-las impiedosamente, reduzindo a nossa atenção para com elas. Todas as plantas precisam de cuidados permanentes, mas temos a tendência para quando as vemos bem enraizadas descurar a sua rega achando que nunca morrem. Podem não morrer mas ficam estioladas pela falta de cuidados.
Estes dias foram acima de tudo preenchidos de paz e serenidade. E aquele receio de esta viagem se revelasse um travão ao meu estado de alma era infundado porque agora percebo que a segunda parte do plano não era só para mim, mas também para um dos maiores tesouros que tenho: o meu marido.
Obrigado meu Senhor!


TÃO PERTO DO CÉU

 
 
 
 

Pic Aiguille du midi (Chamonix, França)

Dulce Gomes

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

TRAVESSIA DESÉRTICA


Estou...
Algures, entre a linha ténue que me separa da realidade e a entranhada e enigmática vontade de aprofundar o meu eu e Tu, Jesus.
Estou por aí...na leveza que me eleva com uma facilidade quase surreal, trazendo um desassossego que me é familiar e que começa sempre com um vazio preenchido de coisa nenhuma. É nesse ponto exacto que estagno porque esbarro na minha pequenez perante Ti. É nesse ponto que reconheço que deixei ressecar tudo o que me dás.
Nesse desértico sentir, acrescentaste o deserto das palavras que deixaram de fluir. Apagaste-as, quando num remoinho as dispersaste como folhas ao vento. Sobraram apenas as frases que o meu cérebro já decorou à muito para Te pedir socorro e os estilhaços resultantes dos meus sentimentos que se fragmentam pela incapacidade de os expressar, fugazes, mas tão doridos pela incerteza e pelo fraco discernimento que tenho da Tua Palavra,  até Aquela que eu julgava entender Senhor.
Nesta travessia, sei que Tu estás comigo. Porém, não consigo sentir-Te nem ver-Te. A certa altura, é lançado no meu caminho uma nuvem de poeira que se eleva como uma muralha, não me deixando enxergar.
Eu estou...Tu estás...Tu vês-me, mas eu não Te vejo...
Essa tempestade  interior, não são mais que os detritos que vou acumulando dentro de mim sem o cuidado de os sacudir, então deixo-me inundar até que transborda. Neste processo, obrigas-me a olhar cada grãozinho de pó entranhado, a pegá-los, a desfazê-los...
São tantos Senhor...
Mas sabes meu Jesus, a travessia está chegando ao fim. Mandaste em meu auxílio os Teus anjos. Ainda que inerte, senti-lhes todos os "passos". Deixei de resistir e a fragilidade/fraqueza engrandeceu, entre as trevas brilhou uma luz: a Tua meu amigo!
A esta entrega Senhor, chamas humildade. Essa palavra que se torna para mim um espinho pela dificuldade que sabes que tenho para lidar com ela. Tomo-a tão a peito quando estou na posição de me dar e volto-lhe as costas quando preciso receber. Senhor...este orgulho que teima em fechar as minhas mãos a outras que se dispõem, este orgulho, que apesar de lhe conhecer as consequências teimo em não superá-lo...
Perdoa-me Senhor, sei que Te decepciono tanto...
Quando insisto em lamber as minhas feridas e nem as mostro para que ninguém ouse tocá-las. Perdoa-me Senhor, se no meio do meu caminho só me habituei a ser a rocha onde poisam as aves para descansar dos vendavais, esquecendo que também sou ave, as minhas asas também se cansam e precisam dum rochedo para se que restaurem. E Tu Senhor, pões à minha disposição um mar de rochedos plantados por Ti...

Obrigado Senhor!

Dulce Gomes

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

FORÇA LUZENTE



Que não se calem os silêncios que me falam
Em palavras sonantes que não digo
Onde as minhas mãos predestinadas, embalam
Traindo os segredos que trago comigo.

Que não se vá esta força luzente
Que me despe das vestes onde me escondo
E pondo a nu, o que não olho de frente
Me expõe a verdade sobre a qual, tombo.

Que não se extinga a penumbra da noite
Nem a lua, as estrelas, no céu gravadas.
Nem o deslizar das nuvens que num açoite
Enchem a minha noite de cores ensolaradas.

Que não se perca em mim por mais que doa
O saber abraçar tudo o que magoa
Ou a capacidade de verter uma lágrima contida.

Que não se perca em mim a vontade de sorrir
De olhar o sol, de amar, ou apenas ir
À luta, em todas as curvas da vida.

Dulce Gomes

sábado, 31 de julho de 2010

PORQUÊ OU PARA QUÊ?

E se a vida fosse uma linha recta, igual a uma estrada larga com boas escapatórias e de excelente visibilidade? Onde o nosso campo de visão fosse de tão largo espectro, que houvesse sempre tempo de reacção suficiente, para receber do cérebro as coordenadas certas para evitar uma colisão? Parece-nos uma fórmula perfeita...

Mas a vida não é uma linha recta, não tem bermas largas, nem o nosso raio de visão é suficientemente amplo para enxergarmos muito além. O nosso caminho é feito de curvas, contra-curvas e precalços, que constantemente põem à prova a nossa perícia. E o sair ileso ou não, tem que ser sempre um ponto de reflexão e posterior aprendizagem.
Se olharmos uma estrada deparamo-nos com vários sinais. Cada um informa, proíbe ou adverte-nos para algo, numa tentativa de nos precavermos para os mais diversos perigos.
Será que os respeitamos na íntegra? Ou preferimos ignorá-los na ânsia de que seja feita apenas e só a nossa vontade?
É certo que comparando a nossa vida a uma viagem composta de várias etapas, vemos que pelas caracteristicas de cada uma nem sempre escapámos incólumes em todas elas. Colidimos, magoamo-nos e sofremos as consequências. Também é verdade que nem sempre encontramos uma justificação apoiada num erro crasso. Aparentemente, cumprimos todas as regras, e eis que de repente vemo-nos a “braços” com uma situação que parecendo surgir do nada, abana toda a nossa estrutura, que julgávamos à prova de embate. Sentimo-nos abalroados na nossa imperfeita tentativa que atingir a perfeição.
De assalto, chegam à nossa mente todos os “porquês”, opomos resistência a enxergar o “para quê”, receando que a provação seja tão dolorosa que se torne insuportável, e erramos em deixar que sentimentos como a descrença e a revolta tomem o lugar da fé e da confiança.
Jesus disse a Tomé: Não sejas incrédulo, mas crente”Jo 20,27. Quantas vezes tomamos a mesma atitude de Tomé, acreditando só depois de ver?
Em vez de interpelar constantemente Deus, abramos o nosso ser aos Seus sinais, ainda que não perceptíveis na sua totalidade. Façamos deles o bálsamo que atenua a dor, a luz na penumbra, a estrela que nos guiará até ao final do trajecto.
Há que confiar que tudo tem um propósito, nem sempre claro à partida. Iremos concluir que as curvas da nossa estrada foram desenhadas pelas mãos dum Mestre, para que tenhamos a oportunidade de aperfeiçoar a nossa condução. E as pedras que nos fizeram tropeçar, foram cuidadosamente dispostas por Ele em sítios estratégicos para que adquiríssemos a capacidade de cair e nos levantar. Nesse erguer, infalivelmente, está sempre a Sua mão vigorosa que nos segura e endireita. É nesse momento que, ainda que cansados da jornada, sobressai a fragilidade da nossa condição humana, surge o admitir que “o nosso tudo é tão pouco”, mas afloram em nossos poros a fortaleza dum ser quase renascido das cinzas.
No momento de chegada, o mesmo Mestre gravará a luz sobre o vazio escuro e inóspito superado, todos os "para quês", tudo ficará claro e límpido como a água mais pura e só nos resta pedir perdão porque não confiámos cegamente. 
«Acreditaste porque viste. Felizes os que acreditam sem terem visto».Jo 20,29
Que o Senhor nos dê o a fortaleza, o ânimo, para ultrapassar as curvas e pedras do nosso caminho sem cair na tentação de achar que Ele nos abandonou.
Deus é Pai e ama-nos incondicionalmente.


Dulce Gomes


quinta-feira, 29 de julho de 2010

BAÍA DE SINES

Num entardecer quase perfeito
Rodo os meus olhos devagar
Sem forçar dilato em meu peito
O amor e entrega a este meu mar










Baía que o dia pinta de azul
E a tarde pincela em nuances de prata
Chega um veleiro, vindo do sul
E o quadro se completa, em tudo que retrata.

Corpos salgados num lento aceno
Sentam de cansados numa última bebida
A brisa leve e o clima ameno
Param o tempo, atrasando a despedida.

Quase noite e por fim
A baía é ouro bailando para mim
Ao som das ondas batendo mansinho.

Criando coragem meu corpo levanto
Junto a minha voz ao seu doce canto
E regresso a casa bem devagarinho...


Dulce Gomes

(Inspirado num entardecer na Baía linda de Sines e dedicado aos meus manos: Francisco e Isabel)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

QUE FAZEMOS NÓS DA NOSSA VIDA?



Que fazemos nós da nossa vida?
Ou, que deixamos nós que a vida nos faça?
Há quem defenda que os melhores amigos são os que trazemos da infância, com os quais repartimos o nosso crescimento e dividimos as nossas primeiras emoções.
Há dias cruzei-me com uma amiga de infância que desde os dezassete anos está viver num outro País. Por força dessa circunstância, apenas nos encontramos, na melhor das hipóteses, uma vez por ano. Trocamos conversas vagas e despedimo-nos. Este ano, cruzámo-nos numa noite amena, num dos passeios à beira-mar e a conversa foi um pouco mais além do habitual. Eu escutei, escutei, pouco intervi, mas fiquei terrivelmente impressionada pela forma expressa, dirigida aos que  cá deixou: Os seus pais.
O discurso frio, parecendo desprovido de sentimentos com que os “brindou”, levou-me à conclusão de que os anos apagaram do seu coração os elos de ligação para com os seus progenitores, levando à quebra dos laços que deveriam ser indestrutíveis e à prova de distância e que a sua vinda é quase um presente envenenado. Fiquei pensando nos seus pais, na forma como eles a pouparam do trabalho a que eu não fui poupada, que com treze anos já trabalhava no único empregador da terra: uma fábrica de conservas. Mas que nunca me deixou nem traumatizada, nem complexada. Pelo contrário, serviu para aprender que a vida custa, é dura, passei a entender muitas das frases dos meus queridos pais. Amadureci mais depressa.
A mãe dela era minha colega de profissão, pessoa muito trabalhadora com a qual muito aprendi e por quem tenho muita estima. A partir desta conversa, para além da estima que por ela nutria acrescentei a admiração e as minhas orações. Fiquei imaginando como se sentirá aquela mãe que apesar das dificuldades passadas, ainda hoje faz “das tripas, coração” para continuar a tratá-la como uma princesa nos poucos dias em que pode desfrutar da sua companhia. Dias em que apesar de a ter fisicamente perto a sente ausente e de quem recebe como recompensa apenas migalhas, consequência da indiferença dum coração endurecido.
Olhei-nos às duas. Pouco ou nada já temos em comum. A vida tratou de nos modificar através das vivências desiguais de cada uma. Caminhos diferentes levaram-nos a traçar rumos que cavaram um abismo entre nós.
Hoje, somos apenas duas pessoas que se cruzam esporádicamente, mas as nossas vidas falam linguagens opostas. Para dizer a verdade a minha língua ficou presa na tristeza e sem capacidade de resposta, mas o meu coração continua sufocado pelas palavras que lhe poderia ter dito mas não disse(porque não era o momento certo)e também porque não me achei com esse direito.

Tiro de tudo isto três lições:
1º-Temos que vigiar permanentemente os nossos corações, para que não percamos a sensibilidade de olhar os outros e a capacidade de os amar.
2º-Derrubei de vez com o estigma dos “amigos de infância”. Cultivo alguns, os verdadeiros. Mas as experiências vivênciadas ensinaram-me que os amigos são todos aqueles que aparecendo em qualquer altura, acrescentam em nós algo de válido, nos levam por bons caminhos e seguem em paralelo connosco em todos os momentos.
3º- Nós, somos na vida aquilo que de melhor lhe extraímos. As nossas atitudes são o espelho da nossa aprendizagem diária connosco e com quem nos rodeia. E como é demasiado fácil escorregar e assimilar aquilo que não nos enriquece, há que estar vigilante, saber fazer uma triagem de tudo o que a vida nos mostra adquirindo a capacidade de dizer um “NÃO” ao que não nos interessa.

Dulce Gomes

sábado, 17 de julho de 2010

PARA TI PAI


Hoje olhei-te pai.
Mas não com o olhar com que te olho todos os dias, não com aquele olhar vago e inquieto que levo quando te visito, objectivando apenas o saber se estás bem para poder voltar para casa tranquila e com a sensação do dever cumprido.
Não! Hoje olhei-te mesmo!
Tirei a névoa da pressa que não me deixa descortinar para além do que está visível e olhei-te com o coração...
Do teu metro e meio, os teus olhos eram dois faróis de ternura a olhar-me, como se quisessem reter-me para sempre dentro deles e foi nesse momento que os meus te fitaram.
Agarrei as tuas mãos com o pretexto de te perguntar por elas mas só queria afagá-las. Trémulas e deformadas, são a narrativa fiel duma vida dura pela qual lutaste com todas as tuas forças e empenho e há qual nunca renegaste. Pelo contrário, contas todos os seus episódios com o orgulho de quem a viveu intensamente e com muita honestidade. Elas falam de como atravessaste os temporais da tua existência, da bravura com que enfrentaste o mar, aquele que tanto amas, de onde tiraste o sustento mas que não te isentou de perigos... Contam os detalhes de como não deixaste que esse mesmo mar te engolisse, nas várias tentativas que fez para te arrebatar e da forma como o fintaste num dia de Maio, quando ele medindo forças contigo pôs à prova a tua destreza de "lobo do mar" e a tua fé. Nessa luta desigual, ganhaste. Puseste a salvo a tua vida e a de todos os homens que de ti dependiam, levando para bom porto aquele barquinho que mais parecia uma casca de noz ao sabor dos seus caprichos. Eu, a tua menina, fiquei de olhos arregalados na amurada como se estivesse à janela a viver um pesadelo, esperando o pior desfecho.
Tantas estórias têm as tuas mãos para contar...
Foram elas, outrora fortes, que me ensinaram a nadar e que me abraçavam logo pela manhã quando eu fugia da minha cama para me aninhar nos teus braços em busca de protecção...
As tuas mãos pai, eram o meu porto de abrigo e as tuas sensatas palavras eram o bálsamo para todos os momentos difíceis. Lembro que nesses momentos o medo se evaporava. Eras o meu paizão.
Ó pai e eu tenho sempre tanta pressa...
As nossas mãos ainda se agarravam e os teus olhinhos pequeninos, cheios de carinho razaram de lágrimas e foi nesse momento que tomaste a inciativa de me abraçar...perdi a pressa pai. Ficámos ali que nem dois tontos pronunciando palavras salteadas mas que ambos conhecemos de cor...
Sabes pai, no meu regresso a casa perdi a pressa. Agora sou eu que quero reter para sempre este abraço, sou eu que quero registar para sempre o teu olhar carregado de amor por mim em dois braços que frágeis e trémulos me enlaçaram.
Não quero mais sentir a pressa que me afasta de outros abraços, porque não sei quantos mais teremos oportunidade de dar.



Obrigado meu "Almirante das histórias"!

Da tua menina...

terça-feira, 13 de julho de 2010

IMÓVEL...


Imóvel, vagueio
pelas pedras repisadas do meu caminho,
recorto os pensamentos
entre os dias felizes e os mais cinzentos,
revendo cada espinho...
Estupidamente,
detenho-me sempre no que me dói.
Numa atitude quase masoquista
a minha mente traí o meu querer
e numa ousadia de conquista
calca sempre onde me faz mais doer...
Cada cicatriz mal sarada
que à força tento ignorar
não abre de novo por um triz
porque não me deixo avançar.
Respiro fundo...
Abro os olhos para o mundo
numa tentativa de me acordar.
Já desperta,
Inalo o perfume da vida
consentindo que me pinte de mil cores
lentamente adormeço as minhas dores
E renasço em cada ferida...
Invade-me a estranha certeza
De que uma luz de rara beleza
Se esgueira,

incidindo neste breu.
                 Fazendo de mim alguém mais forte
Vislumbro de novo o meu norte
E sei melhor quem sou eu.

Dulce Gomes

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O NOSSO SIM!

Perante Ti Senhor, o nosso Sim!

Selado pelas alianças entregues pela nossa filhota


Ó para nós...


OBRIGADO SENHOR!

sábado, 3 de julho de 2010

AOS AMIGOS

AOS AMIGOS

Os amigos são a brisa que amaina o sufoco
deixando-nos a sua mão "sempre à mão"
esperando um pedido de socorro...
Os amigos são aqueles que, ainda que à distância
estão perto...
São os que se alegram com as nossas vitórias
bebendo connosco da taça da alegria.
mas com os quais podemos dividir,
tornando-os mais leves, os momentos pesados...

Os amigos são estrelas luzentes em pleno dia
podemos até nem vê-los mas sentimos-lhe a presença
e o calor que deles emana aquecendo o nosso coração...

A todos os amigos que nos aconchegaram e se alegraram connosco em Cristo e Maria, o nosso obrigado.
Abraço em Cristo e Maria

segunda-feira, 28 de junho de 2010

UM SÓ E DEUS


O percurso das nossas vidas faz-se por etapas. Longas ou breves, mais ou menos dolorosas, outras felizes, mas todas elas com um grau de dificuldade que nos incitam a lutar para ultrapassá-las. Impomo-nos objectivos, definimos estratégias e passamos à acção com o propósito de os alcançar e com isso tornarmo-nos mais felizes ou realizados quer a nível pessoal ou espiritual.
Sou casada há três décadas apenas pelo civil. Durante muito tempo não senti qualquer desejo apelativo dentro de mim para consolidar o meu casamento na Igreja, achando que Deus nos abençoava de igual modo e que teria em conta a nossa forma de estar na vida, na sociedade e no casamento, que sempre se regeu pelo respeito de principios e valores e pelo amor forte que nos une.
Mas...a partir da altura em que abri as portas do meu coração para Jesus e à medida que evoluia na percepção da Sua Divina Palavra, algo mudou e esse desejo começou a tomar forma, cresceu e passou a ser uma prioridade. Até que admiti para mim mesma que queria a benção de Deus para o nosso casamento através do Sacramento do matrimónio.
A recepção com que fui recebida depois do espanto do meu marido foi um "para quê?...Faltaram-me sempre os argumentos para contrariar o "para quê" ou não soube defender e fazer valer a minha vontade...
Rezei muito a Jesus pedindo essa graça, só que o tempo não se compadece de nós e vai passando. Vencida pelo cansaço depus as armas(aquelas que eu achava infalíveis por conhecer a flexibilidade do coração do meu marido) e arrumei o assunto num cantinho escondido, acalentando no entanto uma réstia de esperança. Com as mãos gastas de espera entreguei tudo nas mãos de Jesus, Aquelas para as quais não existem impossíveis, Aquelas que são capazes de renovar e fazer do velho, novo, Aquelas que tem o Dom Divino de transformar...
As mesmas que transformaram a água em vinho nas bodas de Caná... Foi na celebração dum casamento que Jesus fez o Seu primeiro milagre...
Eu entreguei em Suas mãos o meu casamento...
Quando a Sua Mãe, Maria Santíssima lhe comunicou que estava faltando o vinho, Jesus respondeu: " A minha hora ainda não chegou"...
A propósito, será esta a leitura lida quando eu e o meu marido recebermos o Sacramento do matrimónio no próximo sábado, dia 3 de Julho...foi a escolhida pelo Sr. Padre e por mim sem sabermos um do outro... coincidência??Não!
Chegou finalmente a nossa hora. Aquela que Jesus escolheu. É Ele que está preparando cada detalhe e fazendo acontecer tudo o que confiadamente entreguei em Suas mãos. É-me confirmada essa certeza num brilhozinho de olhar que transborda alegria..nos nossos diálogos e em cada passo que estamos dando juntos e felizes na preparação decrescente que antecede aquela "tal hora"...
A partir da qual seremos: Um só e Deus!
Obrigado Senhor!

Leituras: João2, 1-11
1ª Carta de S. Paulo13,1-13
Salmo 32

sexta-feira, 25 de junho de 2010

ADORA E CONFIA




"Não te inquietes pelas dificuldades da vida,
por seus altos e baixos, por suas decepções,
por seu porvir mais ou menos sombrio.
Quer o que Deus quer.

Oferece no meio das inquietudes e dificuldades
o sacrifício da tua alma sincera que, apesar de tudo,
aceita os desígnios da Sua providência.

Pouco importa que te consideres um frustrado
se Deus te considera plenamente realizado; ao Seu gosto.
Perde-te confiando cegamente nesse Deus que te quer para Si.
E que chegará até ti, ainda que jamais o vejas.

Pensa que estás nas Suas mãos,
Tanto mais fortemente acolhido,
Quanto mais descaído e triste te encontres.

Vive feliz. Suplico-te.
Vive em paz. Que nada te altere.
Que nada seja capaz de tirar a tua paz.
Nem a fadiga psíquica, nem as tuas falhas morais.
Faz que brote e conserva sempre sobre o teu rosto
um doce sorriso, reflexo daquele que o Senhor te dirige constantemente.

E no fundo da tua alma coloca, antes de mais,
como fonte de energia e critério de verdade,
tudo aquilo que te enche da paz de Deus.

Recorda: tudo o que te reprime e inquieta é falso.
To asseguro em nome das leis da vida
e das promessas de Deus.
Por isso, quando te sentires magoado, triste,
ADORA E CONFIA..."

P.  Teilhard de Chardin

(Este texto foi-nos dado durante a peregrinação a Fátima pelo Pe. Fernando)