"Somos anjos duma asa só e só podemos voar quando nos abraçamos uns aos outros."

Pensamento de Fernando Pessoa deixado para todos os que estão na lista abaixo e àqueles que passam sem deixar rasto. Seguimos juntos!

OS AMIGOS

segunda-feira, 28 de junho de 2010

UM SÓ E DEUS


O percurso das nossas vidas faz-se por etapas. Longas ou breves, mais ou menos dolorosas, outras felizes, mas todas elas com um grau de dificuldade que nos incitam a lutar para ultrapassá-las. Impomo-nos objectivos, definimos estratégias e passamos à acção com o propósito de os alcançar e com isso tornarmo-nos mais felizes ou realizados quer a nível pessoal ou espiritual.
Sou casada há três décadas apenas pelo civil. Durante muito tempo não senti qualquer desejo apelativo dentro de mim para consolidar o meu casamento na Igreja, achando que Deus nos abençoava de igual modo e que teria em conta a nossa forma de estar na vida, na sociedade e no casamento, que sempre se regeu pelo respeito de principios e valores e pelo amor forte que nos une.
Mas...a partir da altura em que abri as portas do meu coração para Jesus e à medida que evoluia na percepção da Sua Divina Palavra, algo mudou e esse desejo começou a tomar forma, cresceu e passou a ser uma prioridade. Até que admiti para mim mesma que queria a benção de Deus para o nosso casamento através do Sacramento do matrimónio.
A recepção com que fui recebida depois do espanto do meu marido foi um "para quê?...Faltaram-me sempre os argumentos para contrariar o "para quê" ou não soube defender e fazer valer a minha vontade...
Rezei muito a Jesus pedindo essa graça, só que o tempo não se compadece de nós e vai passando. Vencida pelo cansaço depus as armas(aquelas que eu achava infalíveis por conhecer a flexibilidade do coração do meu marido) e arrumei o assunto num cantinho escondido, acalentando no entanto uma réstia de esperança. Com as mãos gastas de espera entreguei tudo nas mãos de Jesus, Aquelas para as quais não existem impossíveis, Aquelas que são capazes de renovar e fazer do velho, novo, Aquelas que tem o Dom Divino de transformar...
As mesmas que transformaram a água em vinho nas bodas de Caná... Foi na celebração dum casamento que Jesus fez o Seu primeiro milagre...
Eu entreguei em Suas mãos o meu casamento...
Quando a Sua Mãe, Maria Santíssima lhe comunicou que estava faltando o vinho, Jesus respondeu: " A minha hora ainda não chegou"...
A propósito, será esta a leitura lida quando eu e o meu marido recebermos o Sacramento do matrimónio no próximo sábado, dia 3 de Julho...foi a escolhida pelo Sr. Padre e por mim sem sabermos um do outro... coincidência??Não!
Chegou finalmente a nossa hora. Aquela que Jesus escolheu. É Ele que está preparando cada detalhe e fazendo acontecer tudo o que confiadamente entreguei em Suas mãos. É-me confirmada essa certeza num brilhozinho de olhar que transborda alegria..nos nossos diálogos e em cada passo que estamos dando juntos e felizes na preparação decrescente que antecede aquela "tal hora"...
A partir da qual seremos: Um só e Deus!
Obrigado Senhor!

Leituras: João2, 1-11
1ª Carta de S. Paulo13,1-13
Salmo 32

sexta-feira, 25 de junho de 2010

ADORA E CONFIA




"Não te inquietes pelas dificuldades da vida,
por seus altos e baixos, por suas decepções,
por seu porvir mais ou menos sombrio.
Quer o que Deus quer.

Oferece no meio das inquietudes e dificuldades
o sacrifício da tua alma sincera que, apesar de tudo,
aceita os desígnios da Sua providência.

Pouco importa que te consideres um frustrado
se Deus te considera plenamente realizado; ao Seu gosto.
Perde-te confiando cegamente nesse Deus que te quer para Si.
E que chegará até ti, ainda que jamais o vejas.

Pensa que estás nas Suas mãos,
Tanto mais fortemente acolhido,
Quanto mais descaído e triste te encontres.

Vive feliz. Suplico-te.
Vive em paz. Que nada te altere.
Que nada seja capaz de tirar a tua paz.
Nem a fadiga psíquica, nem as tuas falhas morais.
Faz que brote e conserva sempre sobre o teu rosto
um doce sorriso, reflexo daquele que o Senhor te dirige constantemente.

E no fundo da tua alma coloca, antes de mais,
como fonte de energia e critério de verdade,
tudo aquilo que te enche da paz de Deus.

Recorda: tudo o que te reprime e inquieta é falso.
To asseguro em nome das leis da vida
e das promessas de Deus.
Por isso, quando te sentires magoado, triste,
ADORA E CONFIA..."

P.  Teilhard de Chardin

(Este texto foi-nos dado durante a peregrinação a Fátima pelo Pe. Fernando)

domingo, 20 de junho de 2010

O SORRISO DE JESUS

Porque é que temos dias em que a tristeza ou o mau humor nos dominam e sentimos uma vontade enorme de deixar que os nossos braços descaiam ao sabor do nosso interior? Parece que o mundo se vira contra nós e nos priva do simples ar que respiramos, nada nos corre de feição e até as coisas boas da nossa vida ficam diluídas neste marasmo de sentimentos destrutivos que nos corroem, privando-nos de aproveitar a maior dádiva que Deus: A VIDA!
Estamos vivos! Existimos para ser felizes. Foi para nos dar essa liberdade no coração que Jesus deu a Sua vida pela nossa.
Hoje olhei uma imagem de Jesus na cruz, mas sorrindo, que me foi generosamente oferecida pelo Padre Fernando durante a minha peregrinação a Fátima e que passou a estar sempre ao alcance dos meus olhos.
O Padre Fernando recentemente ordenado, cheio de força e com um amor imenso à vida, marcou-me imenso. Tocou profundamente cada um de nós pela intensidade das suas palavras. De forma serena, conseguiu chegar-nos ao coração ao falar com veemência da “Palavra”, transportando-A para as situações dos nossos dias, mas sobretudo, instigando-nos a ser felizes. Dizia-nos ele:
"Eu não gosto que os cristãos sejam tristes, apresentem um ar infeliz e passem para os outros cara de coitadinhos. Coitadinhos porquê?"
Bolas! Não é que hoje acordei assim? E porquê? Por nada! Mas ao olhar o sorriso de Jesus fui invadida por uma alegria imensa que desfez e cortou pela raiz o que estava a tomar forma.
Do que é que eu estava esquecendo hoje para me sentir feliz?
Esqueci de abri a janela e olhar o mar e o sol, de ouvir o cantar das andorinhas que fazem voos à minha frente.
Esqueci de olhar com amor a pessoa que amo, me ama e está ao meu lado há décadas. Esqueci que tenho uma filha adorável que apesar de já ter criado asas e ter o seu próprio ninho, ainda gosta das minhas para se aninhar, fazendo-me sentir tão bem ao aconchegá-la... Esqueci que Deus fez dela, tudo aquilo que de melhor uma mãe pode desejar para uma filha. Esqueci a bênção de ter uma família unida e tantos amigos com os quais posso contar.
Principalmente esqueci de dar graças pela graça de mais um dia. Dia esse que posso aproveitar para me redimir, para pedir perdão, para amar, mimar, para ser feliz! Esqueci de ver o sorriso de Jesus em cada pessoa que Ele põe no meu caminho.
Tomamos tudo o que nos rodeia como um bem adquirido e não nos lembramos de que devemos conquistá-los todos os dias um bocadinho. É a tal rega que se tem que fazer à plantinha, senão vai definhando aos poucos…
Tudo isto me foi dito no sorriso de Jesus. Aquele Amigo que morreu com um sorriso para que nós não perdêssemos o nosso.
Sorriam para a vida e verão o sorriso de Jesus...ou será ao contrário? Que importa, sorriam!
Bom domingo!
 
 
(Esta é também uma forma singela de dizer:
"Obrigado" Padre Fernando pela forma como chegou a cada um de nós e pelas maravilhas com que fomos presenteados através de si.)

Dulce Gomes

sexta-feira, 18 de junho de 2010

TEIMOSAMENTE SÓS...



Senhor, ensina-me a aceitar
o que por mais que me esforce
não consigo mudar.
Mostra-me com Teu infinito saber,
porque não aceitam escolher
o caminho a que me prendo.
Porque me travam os passos e não seguem os meus
seguindo no mesmo trilho,
dizendo sim a DEUS…
Porque reprimem o que sinto e me tentam deter
Prendendo-me com amarras
Mordaças e garras que me fazem doer…
Senhor...
Fecha meus olhos ao que me fere,
Meus ouvidos ao que me aleija
Talvez assim minha alma veja,
o que mais deseja e quer…
Por Ti, Senhor...
Madrugo em segredo
Sem temor nem medo
Seguindo o caminho que escolheste para mim.
Não retrocedo, mas volto atrás
Na esperança de ser capaz
De resgastar alguém que Te diga, sim!
Diz-me Senhor porque alguns de nós
Persistem em seguir
Teimosamente sós…

Dulce Gomes

domingo, 13 de junho de 2010

A IMPORTÂNCIA DUM ABRAÇO


Que importância terá um abraço amigo? Qual será a sua finalidade e o que nos leva a procurá-lo ou a dá-lo?
Tenho vindo a meditar neste tema. Numa sociedade em que se denotam cada vez mais sintomas de egoísmo e egocentrismo, em que as pessoas se afastam umas das outras como se, se estivessem resguardando de qualquer contacto e praticamente quase não se dão os bons dias, quem continua teimosamente demonstrando afectos sem receio de ser olhado de lado, está definitivamente remando contra esta maré de "desamor" que teima em tomar o lugar da espontaneidade dos sentimentos.
Eu remo contra a maré! Teimosamente, com consciência mas com muito amor, abraço quem gosto.
Que importância tem um abraço para mim? O que me leva a procurá-lo ou dá-lo?
A necessidade de sentir num gesto o que as palavras não traduzem, o poder quase mágico de reconforto e descanso no ombro que me aconchega ou a alegria imensa de estender os meus braços a quem os espera. Há abraços tão especiais que criam asas e voam até um cantinho especial do nosso coração, ficando lá para sempre como um testemunho de amor para nós e para os outros. Despertando consciências, tal qual os Apóstolos quando manisfestavam o Seu amor uns pelos outros, suscitando frases assim: Olhai, vejam como eles se amam...
Um abraço, ainda que isento de expressão verbal, fala-nos ao coração, tranquilizando, dividindo as tristezas trazendo de volta a paz. Enche-nos o peito de amor e consolida o que nos une num acolhimento mútuo.
"Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus".Rom15.7
Deus é amor e todos os dias nos abraça. Como? Quando vem em nosso auxílio, quando nos fala ao ouvido, quando nos escuta, quando nos enlaça. Através dos meus, dos teus, dos nossos braços.
Através de todos aqueles que se predispõem a dar e a receber com amor.
Um abraço em Cristo e Maria para todos.

(HOJE DEIXO UM ABRACINHO ESPECIAL PARA O MEU MARIDO PORQUE FAZEMOS 32 ANOS DE CASADOS)
Dulce Gomes

quinta-feira, 10 de junho de 2010

LIVRO DE BOLSO


Esta postagem vai para todas as amigas que se queixam de que eu só as faço chorar quando lêem os meus degraus. Hoje partilho com vocês um texto que fiz enquanto aluna da "Prosas" e que a Carolina juntou a outros trabalhos de colegas e fez este livrinho com um titulo que muito me agradou. "PEGADAS".
Todo o nosso caminho deixa um rasto de pegadas, marcas que provam que nos esforçamos para avançar pelos trilhos da vida. Estas também tem contribuido para que eu aprenda e cresça e me incitam a descobrir melhor quem sou eu. Obrigado à Prosas e a todos os professores que voluntariamente e com carinho doam o seu tempo para ensinar o que sabem.
Um beijinho especial à professora Carolina



Será que consigo fazê-las sorrir??? Cá vai...

LIVRO DE BOLSO

Sou um livro de bolso. O que tenho cá dentro? Regras de bom comportamento. Mas acho que nada ensino para tristeza minha, porque quando dou por mim sou agarrado à bruta, numa prepotência sem regras e absoluta. Folheiam-me lambendo os dedos. Acham normal? Sinto-me desrespeitado de tão peganhento e babado.
Como se não bastasse o que já vos contei, mutilaram-me as folhas. Talvez tenham dificuldade em decorar e então, pegam em canetas e toca a sublinhar. Cá para mim a inteligência é pouca ou virá de uma mente louca, porque ainda por cima sem qualquer espécie de pudor, não é que me pintam as folhas com um grosso marcador? Que horror!
Hoje, por exemplo, deixaram-me aqui a um canto. Desprezado, cheio de pó e de pé, ainda por cima sem ninguém para me ler nem um amigo para me recostar, não tarda de cansado começam as minhas folham a encarquilhar e eu, de exausto caio para o lado.
Ah, como me sinto velho, sujo e maltratado...
Um dia, um amigo de estante mostrou-me o seu conteúdo, baseava-se sobretudo em concretizar desejos. Dizia-me ele que bastava pedir com força e ser confiante.
E se eu tentasse formular um pedido...quem sabe não serei ouvido, mas que posso eu pedir se nada me ocorre...talvez duas pernas para me pôr a andar...mas para pedir pernas porque não pedir logo umas asas para voar? É isso! Quero umas asas. Quero umas asas! Quero poder voar e à primeira oportunidade se apanhar uma janela aberta, partirei em liberdade em busca de outras casas, assim à descoberta.
Upss...que se passa na minha lombada? Parece-me até inchada...estou a ficar esquisito, melhor dizendo, aflito. Serão as asas? São asas! São asas! Finalmente!
Vou planar por aí até outras mãos encontrar, mãos que não me risquem nem lambam, mãos de gente diferente onde possa descansar.

Dulce Gomes

domingo, 6 de junho de 2010

ACREDITAR...E TORNAR A ACREDITAR



Ando muito reflectiva. Temos fases na nossa vida em que por mais que se lute nada acontece, outras pelo contrário, quando menos esperamos...acontecem naturalmente.
Como se de um filme se tratasse e o guião já estivesse escrito há muito tempo, embora só agora fosse chegada a hora de começar a filmar as cenas dos episódios. Tudo se começa a desenrolar...
Leva-me a confirmar naquilo que creio, que este filme não é escrito por nós, apenas somos os protagonistas que interagimos com quem O escreve e podemos ou não acreditar nessa aposta e aceitar fazer parte nele...
Os requisitos?? Crer...e tornar a crer. Ter esperança...e não a deixar perder.
Porque quem escreve o guião saberá qual a altura mais propícia para que tudo aconteça, ao contrário de nós que queremos sempre tudo e se possível para ontém...
Possivelmente Ele aguardará com paciência até que os actores estejam bem preparados e cientes dos que os espera, e só então gritará: acção...
Ou será que atrasou a sua conclusão de propósito para que saibamos dar ao acontecimento o devido valor? É que isto de ter tudo de bandeja faz com que a vitória tenha um sabor insípido...
Na verdade nada disso importa. Tudo está nas Suas mãos.
No meio das evasivas do meu texto (por agora não pode ser de outra forma) deixo-lhes esta certeza:
A DEUS NADA É IMPOSSÍVEL!

Dulce Gomes

quarta-feira, 2 de junho de 2010

UM ANO DEPOIS...

SÓ POR TI JESUS...


Hoje faz um ano que timidamente comecei a subir estes degraus em silêncio e um pouco a medo.
Nessa corrente, há dias que venho fazendo um balanço desta aventura que encetei, numa tentativa que me certificar de que todos os meus passos foram dados com a fidelidade que exijo de mim e do que escrevo para com aqueles que me lêm, mas acima de tudo para com Deus. Durante estes 12 meses, muitos textos em forma de pensamentos e desabafos, até "poesia" feita à minha maneira, deixei derramar em postagens que são para mim degraus conquistados. Porquê chamá-los de conquista? Porque muitas foram as lutas que travei, nem sempre consensuais, entre o “meu eu” e o apelo sentido pelo meu coração em partilhar, entre o silenciar e dar testemunho, entre o ficar na minha suave quietude com Deus e passar à acção falando dessa mesma intimidade.
Porém, todo este meu silêncio foi quebrado por Jesus! Foi Ele que exigiu mais de mim, que me sacudiu, agitando o meu barco ao mesmo tempo que se fez meu timoneiro. Foi nessa confiança que deixei de Lhe resistir e deixei-me navegar ao Seu sabor, sem opôr resistência, embora tenha sempre reticências que fazem parte da minha personalidade e da minha condição humana. Convivo com as minhas falhas e dúvidas de olhos postos em Jesus, porque sei que só Ele poderá fazer da minha fraqueza a força que não tenho.
Pautei o meu blog por esta frase: “ SÓ POR TI JESUS…”
É uma frase com reticências porque só sei porque o comecei, não sei até onde irá nem quando acabará, está nas Suas mãos.
Tenho o costume de desafiar Jesus a dar-me respostas, sinais para as minhas dúvidas e buscar nas Suas palavras as minhas certezas para ficar confiante. Antes de começar a escrever este texto reparei que ao meu lado tinha o livro “ Os cinco minutos de Deus” de Alfonso Milagro, que me foi oferecido este ano em Fátima pela minha querida irmã Alice. Pedi a Jesus que me desse uma palavra e abri-o o acaso. A mensagem é a seguinte:

“ O mundo de hoje exige homens que tenham a honestidade e a coragem de se comprometer. O compromisso pressupõe ambas as atitudes: honestidade, porque exige fé, e coragem, porque é preciso suportar as consequências do compromisso que nasce da fé. Lutar por essa profunda renovação interior, que fortalece e tempera, para produzir uma mudança no ambiente onde trabalhamos. Emprestar a Cristo os nossos braços, as nossas acções, a nossa personalidade, a nossa presença no mundo. Ter respostas concretas, actuais, às perguntas mais candentes que nos possam formular. Se, se referem a Deus e nos calamos, é porque não aprofundamos a nossa fé. Se dizem respeito ao mundo em que vivemos e não apresentamos as nossas convicções pessoais, é porque somos indiferentes à realidade que nos rodeia. Comprometer-se é ter sempre coragem, decisão, convicção e fé.

Com esta mensagem resta-me dizer: SÓ POR TI JESUS... escrevo, testemunho, caminho, amo e me dou. Vou continuar comprometida Contigo, emprestando tudo o que tenho e sou, pedindo-Te a coragem para continuar enfrentando as consequências deste compromisso, que tantas graças têm derramado na minha vida e em tanto a tem modificado.
Uma das maiores recompensas desta aventura são vocês meus amigos, que Jesus pôs no meu caminho e que com perseverança e unidos vamos semeando a Sua Divina palavra. Obrigado a todos!

Dulce Gomes

(Às minhas manas Alice e Isabel e "xubinha" Ana, que corajosamente me incentivaram e aturam as minhas indecisões, aquele abracinho grande, apertado, com Jesus e Maria nossa Mãe!)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

SE EU FOSSE POETA...


Abro espaço no meu dia e voa a minha alma sem meta.
Numa velocidade estonteante, dotados de exactidão
seguem meus dedos pelo papel num incontrolável desafio.
Ora mel, ora fel numa estocada certeira
atingem sem piedade nem pré-aviso,
toda a minha verdade numa declarada guerra
de provocação..
Implacáveis, seguem caminho pelas veredas do que sou,
Chegam subtilmente de mansinho, onde guardo a minha essência.
Embora com prudência perco as forças,

não opondo resistência a esta forma de me descrever...
Leio um desfile de palavras que não ouço mas fazem eco em mim...
Traduzem lutas sem certezas e certezas pelas quais luto,
ataques e auto-defesas nem sempre conseguidos de modo mais astuto...
Sei contudo, que tudo somado é um contributo
Para que eu possa crescer...
Se fosse poeta inspirado, poderia florear a minha pessoa
Pintar de tom rosado até os recantos mais escuros
E fazer das minhas dúvidas um canal sempre seguro.
Porém sei que não posso nem devo
E aceito-me assim por mais que me doa
Tal e qual sou, sinto e me descrevo...

Dulce Gomes

quarta-feira, 26 de maio de 2010

JULGAMENTOS PRECIPITADOS

IGREJA DE PADRÓN

Depois de duas peregrinações a pé, uma a Fátima e outra a Compostela, cheguei à minha terra ansiando por assistir à missa na minha igreja em Sines. À saída, algumas pessoas amigas que deram pela minha ausência e sabiam a razão da mesma, acercaram-se de mim e entre abraços ficámos por ali conversando. No meio de tudo isto uma Senhora por quem tenho estima e já com uma certa idade olha para mim com um ar e olhar de crítica e diz-me assim;
“Deus me livre se eu fazia uma coisa dessas, ir a pé fosse onde fosse pagar promessas. Deus não gosta disso.”
Por momentos fiquei/ficámos olhando a senhora que continuava com o seu ar austero consciente de que estava plena de razão e também por momentos exitei sobre se deveria responder ou calar, mas resolvi calmamente explicar à senhora o que me move.
Este episódio não me ofendeu, pelo contrário teve um efeito benéfico porque me fez reflectir. Questionei-me na pressa que todos nós, eu incluída, temos em julgar sem conhecer nem aprofundar as situações e em quanto é bem mais fácil fazer um juízo precoce dos outros do que tentar entender os seus porquês.
Olhei para mim e avaliei o que estava sentindo naquele momento: Estava tocada nos meus sentimentos, incompreendida na minha fé e porque não dizer que me senti injustiçada. Porém, depois de tentar tirar a trave dos olhos daquela pessoa fui olhar a trave dos meus, não foi preciso fazer um exercício mental muito longo e recordei uma situação que me aconteceu em Padrón, uma das cidades onde pernoitámos no 4º dia da caminhada a Compostela.

Nesse dia, tinhamos caminhado 40 quilómetros sob um sol abrasador e apesar dos meus pés se encontrarem em mau estado e as dores persistirem, senti permanentemente a força de Jesus em mim. Quando o percurso era mais agreste, algo me aliviava a pressão e os meus pés levitavam. À chegada a Padrón, senti uma enorme necessidade de agradecer todo aquele percurso. Ao olhar para cima vi lá bem no alto dum morro uma igreja lindíssima e imponente, que só tinha acesso através duma escadaria que se estendia por muitos degraus. Subi tudo e entrei na igreja. O  terço tinha começado. Devagar, ajoelhei e agradeci o facto de ter chegado e estar ali na Sua presença. Assistindo, estavam apenas dois casais já idosos que comigo e o meu marido prefaziam 6 pessoas. Quando acabou o terço e começou a missa  o meu coração encheu-se de alegria e disse para comigo: Obrigado Senhor, era mesmo o que estava precisando.
Aos poucos apercebi-me que o Padre era já idoso e se socorria duma forte lâmpada para poder ler. Chegou a hora de comungar levantei-me e respirando fundo de alegria tomei posição no fim da fila, atrás dum senhor bastante alto, o Padre deu a comunhão aos quatro e quando chegou a minha vez foi embora...fiquei ali especada mas na esperança de que o Senhor tivesse ido buscar a hóstia para mim, mas não. Continuou a missa para a concluir e eu não tive outro remédio senão regressar ao meu lugar sem tomar o Corpo de Cristo.
Ajoelhei de novo tentando arranjar uma explicação para o sucedido e só me passava pela ideia de que o Padre me havia excluído! Desejei desaparecer dali e esquecer tudo, mas ao invés disso levantei-me num salto assim que o Padre se recolheu. Pedi-lhe licença para falar e reparei na sua dificuldade em me fixar, mas eu continuei e directamente lhe perguntei o porquê de  ter sido excluída da comunhão, o Senhor aproximou-se e perguntou-me onde é que eu estava. Estufefacta balbuciei: Onde? Ali assistindo ao terço, à missa como os outros...
Com humildade ele olhou para mim e disse: Perdão minha filha, não te vi, eu quase não vejo...
Por momentos não consegui dizer nada e se minutos atrás queria sair dali cheia de orgulho e com pena de mim, agora queria sair com vergonha de mim. Desculpei-me como pude e consegui.

No final conversámos, quis saber de onde eu era e porque peregrinava. Saí de lá com muito para aprofundar...
Eu havia julgado aquele Padre de maneira implacável e se acaso tivesse virado as costas recordá-lo-ia como alguém que me magoou. Hoje recordo-o como alguém que o Senhor moveu para me dar mais uma vez uma lição de humildade, ao mesmo tempo que me mostrou que não devemos fazer julgamentos precipitados até mesmo quando os julgados somos nós.

Dulce

domingo, 23 de maio de 2010

NAS PEGADAS DE SANTIAGO



Estou de volta!
Entre o cansaço e a persistência, entre as dificuldades e a solução das mesmas, mas sobretudo com uma vontade à prova de quase tudo chegámos depois de 7 dias de aventura, cinco destes feitos a caminhar por trilhos e lugares que têm tanto de difícil como de extrema beleza. Percorremos à volta de 155 quilómetros.
Pretendo depois de reflectir um pouco em todas a peripércias deste caminho fazer uma retrospectiva de tudo o que vivi, senti, aprendi e cresci. Deixar escrito para mais tarde recordar e quiçá elucidar com esta experiência alguém que não faça ideia do que é fazer uma caminhada espiritual. Onde o cansaço por vezes domina o raciocínio na sua quase totalidade, deixando em certas alturas o nosso pensamento à mercê das dores que vão crescendo à medida que se avançam nos quilómetros. Principalmente nesses momentos somos confrontados a olhar-nos como seres débeis e frágeis perante as adversidades, nesses precisos e duros momentos assaltam-nos uma panóplia de perguntas sobre a nossa existência, sobre quem somos e onde nos encaixamos neste universo.
Senti-me muito pequenina perante a dimensão duma natureza que me arrebatou pela grandiosidade das suas maravilhas. Muitas vezes gritei a plenos pulmões: "GRANDIOSO ÉS TU, Ó MEU SENHOR"
O meu Senhor, que me ajudou nos momentos mais complicados e me renovou, restaurando as minhas forças e tratando as minhas mazelas.
A minha primeira lição aprendi exactamente no 1º dia: Parti segura de que o meu ponto fraco seria o facto de ter de caminhar com uma mochila de sete quilos, preparei-me mentalmente para as dores nas costas. Estava convencida que, depois de caminhar para Nossa Senhora durante cinco peregrinações sem nunca ter feito uma bolha estaria isenta desse problema...muitas vezes brincava com esse facto dizendo que não era uma verdadeira peregrina por não as ter, pois bem se acaso só isso faltasse, no primeiro dia teria preenchido esse último requisito porque passadas seis horas de caminhada já tinha uma bolha enorme na planta do pé, o outro não se ficaria a rir porque seguiu igual caminho. No entanto, agradeci! O Senhor quis mostrar-me a minha pequenez, baixou-me a crista e nesse momento senti na pele todas as dores que vejo nos olhos dos muitos que comigo peregrinam. E se estou habituada de, no caminho para Fátima ir quase aos pulos e saltos, neste percurso tudo se alterou. A partir do momento em que fiquei condicionada a minha passada mudou ao mesmo tempo que mudei a minha maneira de peregrinar, por isso agradeci não ter dado um passo sem nenhuma dor e ofertei cada um pelas intenções que levava. Recordo que ao 3º dia quando finalmente deitei o meu corpo fatigado numa enxerga dum albergue, pela minha mente passou a visão de Jesus vergado pelo peso da Sua cruz arrastando os pés a caminho do calvário. Com vergonha da minha falta de coragem entreguei-lhe os meus insignificantes passos e dores, de lágrimas rolando pela cara abaixo. Que fraca me senti...e tão forte o Senhor me fez no dia seguinte, que por sinal era o que mais receava pelos quarenta quilómetros que nos tinhamos proposto a tentar fazer (duas estapas seguidas). Neste 4º dia e apesar das bolhas, a dor no joelho e nos tornozelos fizeram uma trégua e os meus pés criaram asas. Durante todo o percurso senti fortemente a presença de Deus no meu coração e sei que ele aliviou o meu caminhar. Senti que Jesus me levou o colo.
Também aprendi que, muito embora num casamento de 30 anos muito já esteja explorado, há sempre muito mais ainda para descobrir e aprofundar com aquela pessoa que escolhemos para nosso companheiro. Outras vertentes foram descobertas e outros planos traçados. A seu tempo sei que entenderei melhor o propósito deste caminho que sinto, será apenas o início de outros. Só Deus saberá quais os frutos que colheremos, mas ainda que mais não recebessemos todos os que saboreámos já seriam suficientes para nos compensar.
Aos poucos irei deixar cair aqui os momentos que me marcaram e pelos quais eu estou dando graças.
Obrigado a todos vocês, meus amigos que pediram por nós em oração para que Jesus nos acompanhasse.
Obrigado!

Dulce

Um pouco do nosso caminho

A partida registada pela filha na Gare do Oriente, em Lisboa.

À saída do Albergue de Ponte de Lima


Conferindo o caminho no mapa


A rudez do trilho pela Serra da Labruja



A presença de Jesus a cada passada fazendo relembrar aos mais desatentos de que esta não é apenas uma caminhada...


Descansando as mazelas


Os sorrisos estampados no rosto de quem caminhou por e com amor.
Obrigado marido/amigo/companheiro duma vida!


sexta-feira, 14 de maio de 2010

RENOVADA

Cá estou!
Não me ocorre dizer muito porque não sinto que saiba traduzir neste momento o que está no meu coração e também porque há muito para reflectir e pôr em ordem cá dentro. Mas, quero partilhar convosco que connosco estiveram em oração, a nossa alegria por termos chegados todos a casa , renovados e com um brilhinho no olhar que foi crescendo a cada passada.
Muito haverá por dizer mas neste momento apenas vos digo que tenho o coração dilatado: de amor, de alegria e acima de tudo pela conversão de muitos irmãos que partiram sem expectativa e ao 1º dia já queriam voltar. Sinto uma sensação de dever cumprido pelos novos que foram através de nós. Alegro-me em Cristo e Maria e dou-Lhes graças pela missão confiada. Quando parti, pedi a Nossa Senhora que, em todos os momentos, fosse realizada apenas e só a Sua vontade em tudo o que Ela me tinha confiado, hoje, apesar de esta ser uma conclusão prematura, sinto me mim aquele fogo cá dentro que me diz que a missão foi cumprida. Obrigado Virgem Mãe por me amares tanto.
Muitas graças foram derramadas e a nossa peregrinação culminou com um ponto alto: a oportunidade de estar presente na Igreja da Santíssima Trindade e ser recebidos pela Sua Santidade: O Papa. Foi um momento inesquecível que guardarei para sempre.
Saibam meus amigos que à mãe vos entreguei um por um, em voz alta. Não o fiz em voz alta para que a Mãe me ouvisse, porque Ela lê melhor do que nós o nosso coração, mas para me certificar de que não esquecia nenhum. À mãe entreguei os vossos anseios e problemas, pedindo para que nossa Senhora os assistisse em tudo o que todos vocês necessitassem e para que sentissem os benefícios da nossa entrega na oração. Porque orar encurta o caminho para Deus.
Por último, esta é uma chegada e uma partida, porque estou fazendo a mochila para partir de novo em peregrinação. Desta vez a Santiago de Compostela e apenas com o meu marido. Peço-vos que orem por nós para que esta caminhada seja de conversão e entrega. São as duas palavras que sinto quando penso na nossa caminhada.
Expectativas? Apenas duas. O reforço dum casamento que quero ungido pelo amor de Deus e a entrega...a minha e a do meu marido à fé e ao amor maravilhoso de Deus.
Rezem por nós!
Mais uma vez levar-vos-ei no meu coração.
Parto domingo de Lisboa e não sei ao certo quando regresso, apenas que temos nove dias para concluir esta "aventura".

(A todos os peregrinos que comigo caminharam, o meu obrigado em nome das meninas de Sines. Vocês são maravilhosos. Às guias, ao apoio ao longo do caminho, o nosso bem-haja por tudo. Estão sempre nos nossos corações, não só como amigos mas como irmãos em Cristo)

Deixo-vos uma frase do Santo Padre que me tocou:
Sejamos fortes na fé, audazes na esperança, zelosos no amor!
Assim seja!
Até já.

Dulce Gomes

quarta-feira, 5 de maio de 2010

COM MARIA...ATÉ JÁ!

ATÉ JÁ...


Meus amigos como certamente já se aperceberam, hoje, estarei de partida para Fátima. Acompanham-me como sempre as minhas queridas, irmãs Alice, Isabel, sobrinha Ana e um grupo de amigas que este ano aumentou, graças ao chamamento que Maria, nossa Mãe, vai pondo nos corações de todos os que se deixam tocar por Ela.
Na bagagem não levamos promessas por cumprir nem desejos utópicos para pedir, apenas muitas graças para dar e uma vontade férrea de nos doar em oração por todos aqueles que precisam da intercessão de Maria. Connosco levamos as intenções manifestadas por todos os amigos que nos pediram em oração e também os que não tiveram a coragem de o fazer. Os que conhecemos pessoalmente e aqueles que apesar de não lhes conhecermos o rosto são amigos do coração, e com os quais ainda que virtualmente encetámos amizades que modificaram as nossas vidas, enriquecendo-nos como seres humanos e dando-nos a alegria da sua presença.
A todos, o nosso obrigado e a certeza de que estaremos orando incessantemente por todos vós.
Dulce, Isabel, Ana, Alice, Lena, Manuela, Fernanda, Céu, Nita, Bela, São, Susete, Madalena, Celeste, Laura, Luisa, Elisa, Barbara.

Lembrem-se de nós nas vossas orações, pedindo à Mãe que nos assista para que possamos assistir. Nós, não esqueceremos de vocês, um por um...
Abraço em Cristo e Maria


MARIA
Humildade do coração de Maria
Enche o meu coração
Com os teus sentimentos.
Ensina-me, como ensinaste Jesus,
A ser manso e humilde de coração.

Silêncio de Maria
Ensina-me como posso conservar
Contigo e como Tu, "todas estas coisas"
Que dizem respeito ao Teu Jesus.

Solicitude de Maria
Ajuda-me a socorrer com amor
A doar com prontidão
A anunciar com alegria.

Madre Teresa de Calcutá

sábado, 1 de maio de 2010

MÊS DE MARIA, NOSSA MÃE

Entrámos no mês de Maria, nossa Mãe do céu, que ao longo do ano nos escuta, nos ampara e toma como Suas as nossas causas.
Maria, Mãe bondosa que nos enche os corações de coragem ao mesmo tempo que nos atende.
É pois nosso dever principalmente neste mês, prestar-Lhe um pouco mais de atenção rezando o terço todos os dias conforme é tão do Seu agrado.
Este é um mês muito especial para mim, porque sempre que ele começa chega a ansiedade de quem está de partida. Quase a pôr os pés na estrada é hora de fazer as malas e reflectir. Hora de despedir da família, dos amigos, levando na bagagem todos os meus e os seus anseios, preocupações e guardando cada um, num cantinho especial do meu coração para que peregrinem comigo pela mão de Nossa Senhora.
Ao entregar a nossa Senhora os meus passos, estarei também confirmando o meu "Sim" a Jesus, louvando e agradecendo por todas as Suas graças.
Este ano levaremos nas nossas blusas a Senhora das Graças. Porquê? Porque deixámos ao critério da minha querida sobrinha a escolha das nossas blusas e foi assim que ela A viu: Nossa Senhora e Mãe, envolvendo-nos no Seu manto de amor, de braços abertos derramando graças sobre nós, como que para nos consolar, amparando-nos e protegendo-nos de todo o mal e dor.

EIS A NOSSA BLUSA.
OBRIGADO "XUBINHA" FICOU LINDA.


A pagela foi feita pela São, uma amiga de infância que este ano também irá.
Obrigado amiga pelo amor e empenho com que as fizeste.



O nosso livrinho de orações e canções feito também pela "xubinha"



OS NOSSOS PÉS

 E CÁ DENTRO UM CORAÇÃO GRATO.
OBRIGADO MÃE!


terça-feira, 27 de abril de 2010

A IGREJA SAIU À RUA


Muitas vezes tenho sentido vontade de escrever sobre o vazio existente na minha terra em relação à fé. Vontade de relatar a minha tristeza em ver sempre os mesmos na missa e principalmente a tristeza de verificar a ausência de jovens. Este desabafo guardei-o sempre para e entre pessoas da minha confiança, temendo que ao fazê-lo caísse como uma crítica gratuita e maldosa a quem lê-se. Não é esse o meu sentir, é bem mais profundo. É a pena de não ver continuidade, as crianças frequentam a catequese, quanto muito fazem os primeiros sacramentos e quando atingem o início da adolescência olham a igreja como uma "seca", sem pontos de interesse, sem nada para lhes dar. De certa forma, eu entendo, porque apesar de já ter alguns aninhos continuo a gostar duma igreja com pulsar, que me estimule, me alegre e me leve a apetecer aprofundar o caminho para Deus. Entendo, porque quando mais nova também eu fugi da minha própria igreja que chegava a fazer-me sentir deprimida e triste, dizendo para mim muitas vezes que tinha que haver mais qualquer coisa na igreja para além das regras, das homílias irónicas e dos cânticos sempre lentos e tristes, entregues a pessoas cinzentas. Felizmente descobri outra vertente da igreja que me dá a, "quase plenitude" de felicidade na busca e encontro com Jesus. Mas esta introdução, desculpem se longa, é apenas a minha abordagem a algo lindo que se passou no Sábado na minha igreja.
A igreja saiu à rua!
Numa iniciativa salutar e entre paróquias, recebemos na nossa igreja o grupo de catecumenato de Béja que invadiu de jovens e violas a nossa cidade e o meu espírito. A alegria transbordou e vi sorrisos em rostos outrora sisudos, mas principalmente abertura nos corações. A igreja não estava cheia, estavam aqueles que aceitaram e tiveram coragem de responder ao chamado para evangelizar. Começou com oração e acabou com a benção do Espírito Santo, para que nos desse a ousadia de transpôr as paredes da igreja e levar a Palavra e o testemunho fora de portas e assim foi. Percorremos as principais artérias da cidade cantando, distribuindo panfletos informativos e, o que mais me emocionou, dando testemunho. Retenho um, que pela sua força e coragem recebi como uma lição de vida: uma senhora que, perante muitas pessoas que estavam na esplanada dum café, não se inibiu de educadamente pedir licença e falar de si, da sua fé e do caminho que percorreu até então. Isto é evangelizar! É seguir as pisadas de Jesus, é dar a conhecer a Sua Santa Palavra. Não importa se nem todos nos aceitaram, JESUS, também não foi bem aceite, principalmente na Sua própria terra. Entendi-o na perfeição, senti na pele que é bem mais fácil evangelizar quem não nos conhece, porque quem nos conhece não hesita a apontar-nos o dedo, mas a certeza e a alegria que Deus nos dá é tão grande que todos esses obstáculos não passam de pontinhos minúsculos e inexpressivos.
Mas para além disso, quem disse que seguir Jesus é fácil?


Dulce

(Na sequência desta iniciativa que se intitula "Missão, Nova Evangelização" haverá a continuação da saída da igreja para a rua e a partir de 10 de Maio, passarão a haver encontros no Salão Paroquial às segundas e quintas-feiras, com o objectivo: Evangelizar. Bem haja a todos os que se disponibilizam para que a Palavra circule e fecunde nos nossos corações.)