"Somos anjos duma asa só e só podemos voar quando nos abraçamos uns aos outros."

Pensamento de Fernando Pessoa deixado para todos os que estão na lista abaixo e àqueles que passam sem deixar rasto. Seguimos juntos!

OS AMIGOS

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O ALMIRANTE DAS HISTÓRIAS

O ALMIRANTE DAS HISTÓRIAS
É O MEU PAI!


Uma foto do mar de Sines que ele tanto ama.


Esta alcunha foi-lhe dada por um filho da terra que escreve artigos para um jornal de Sines e o qual, depois de lhe descobrir a faceta de contador de histórias, o entrevistou algumas vezes e as narrou fielmente.

Todas as que conta são verídicas, sendo a maior parte retalhos da sua dura e traumatizante vida. Quem o escuta depressa se prende às palavras que emprega às quais junta os seus típicos gestos e a sensibilidade que o caracteriza, o que por vezes o obriga a interromper, ora porque a voz se embarga ou para limpar uma lagrimazita teimosa. Cada história é um brinde de sabedoria que nos transportam sempre numa viagem empolgante que nos dá um suspenso desejo de ouvir o capítulo seguinte. É um recuar gostoso no tempo fazendo com que, quem o escuta, quase se sinta protagonista dum filme de acção interessante onde ansiamos o desfecho.
Porém a história mais impressionante é a sua! Um menino que nasceu duma família extremamente pobre, primeiro filho duma relação que nunca teve pernas para andar e da qual, pouco tempo depois nascia uma irmã (irmã que só viu de novo vinte anos mais tarde e depois duma busca incessante). A mãe, farta de ser maltratada pelo marido, uma pessoa violenta e doente do foro psicológico, abandonou a casa levando a sua irmã e deixando para trás o meu pai então com dois anos, entregue à sua má sorte. Esse foi o trauma que nunca ultrapassou, o porquê da mãe ter escolhido só um. Seria aqui o ínicio do seu calvário de sofrimento. Num cenário de maus-tratos e trabalho precoce, a única coisa boa foi uma madrasta que o trataria sempre como se fosse sua mãe, mas que passou a ser mais uma vítima e à qual, ele se sentia na obrigação de proteger. Depressa aprendeu o quanto a vida lhe tinha virado as costas e depressa aprendeu que, se queria subsistir teria que contar só com ele. Assim, aprendeu a desenrascar-se para arranjar comida e para lidar com aquele pai que o chamava até junto dele e sem razão aparente o maltratava com um pau. Os pormenores são muitos e nem vale a pena enumerá-los. Mas perguntar-se-ão em que adulto se tornou? E que pai foi e é ele? Tão mal-formado, mal tratado e cheio de traumas de infância…que transportou ele para a sua vida futura? Eu digo-lhes! Foi e é o melhor pai do mundo. Amigo, meigo e sensível (apesar da rudeza duma vida ligada ao mar). E um cúmplice companheiro. Um pai que apesar de ter três filhas para criar e uma mulher (minha mãe) com problemas de saúde, nunca desarmou o sorriso, um mimo, uma palavra para nós. Mesmo quando chegava do mar quase de rastos da faina e o cansaço quase o vencia, tinha sempre tempo para nos mimar. Na minha infância lembro dos lanches de domingo com sumo e bolo numa pastelaria no centro da vila (isto quando conseguia pôr de parte algum dinheirinho), na adolescência recordo como aos sábados arranjava sempre tempo para uma ida ao cinema, as vezes em que cansado fazia um esforço para me levar ao baile, mas principalmente as longas conversas que ele tinha comigo para me fazer ver o seu certo e sensato ponto de vista. Empregava palavras cuidadosamente escolhidas e dava-lhes uma ênfase adequada a cada situação, tudo isto apimentado com uma enorme dose de amor e equilíbrio. Somos o seu maior orgulho. Quando fala de nós, suas filhas, os seus olhos pequeninos rasam-se de lágrimas de emoção. Com a mesma emoção te digo:
-“Obrigado pai por seres como és”
Dulce Gomes
(Obrigado pai por todos os valores que nos transmitiste. Obrigado por teres sido o pai que querias ter tido. Obrigado por fazeres de nós, tuas filhas, as pessoas que somos).

8 comentários :

  1. Mana confesso que fui apanhada de surpresa por esta tua postagem,
    fiquei de lagrimas nos olhos, não resistindo á emoção,
    e neste momento só me ocorre dizer,
    Obrigada meu Deus pelo PAI que nos deste
    bj Isabel Gomes

    ResponderEliminar
  2. olá dulçinha que linda declaração de amor fez aqui ão seu pai ,,
    muito bonito e comovente , principalmente para mim ,,,,,
    sabe o meu pai tambem teve uma infançia muito dura ,muito mesmo.
    enfim tam dura , que nem consigo aqui descrever ,
    mas nunca as más experiençias o impediram de ser o pai que sempre foi e é ,um pai fantástico , dedicado , amigo , companheiro , um paizão .

    graças a deus que os nossos pais souberam dar a volta a vida e serem os melhores pais do mundo .

    beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Que história linda mas também triste, cheia de amor creio que também eu lembro agora o meu pai com muito carinho, obrigada portudo isto

    ResponderEliminar
  4. Sem palavras...
    Deus te abençoe!

    ResponderEliminar
  5. Dulce
    Apesar de não a conhecer pessoalmente fiquei muito sensibilizada pela sua descrição tão linda. Qualquer pai ficaria feliz de ter uma filha assim.
    Quem consegue transcrever tão bem os sentimentos e as recordações, só pode ter a minha adiração.
    Fiquei sua fã
    Biba (do horizonte)

    ResponderEliminar
  6. Que maravilhosa homenagem ao Sr.ALMIRANTE das histórias,que nos proporcionou um relato de vida tão comovente mas com tanto amor e ternura que foi das coisas mais bonitas que me aconteceram hoje.
    Ler esta veridica história trouxe-me lágrimas de emoção.Este grande senhor que é seu pai transmitiu ás filhas a melhor qualidade do mundo,AJUDAR OS OUTROS E SABER PERDOAR.Tambem a facilidade e o dom de palavra com que a Dulce escreve,só pode vir de alguem tão especial e sensivel como seu pai.
    Tambem tenho muitas saudades do meu querido pai e esta linda história fez-me recordar os sacrificios que tambem passou para nos dar uma boa educação.
    Obrigada pelo momento que acabei de ter,e que Deus o conserve junto das tres filhas com esse amor todo
    com que vos mima.
    Muito carinho da Ana

    ResponderEliminar
  7. O meu krido avô sempre foi muito importante para mim e, desde que o meu pai faleceu, o medo de perdê-lo tornou-se ainda maior.
    Fez em Agosto dois anos k estivemos quase a ficar sem o nosso "almirante". Problemas de coração e também de pulmões (em parte devido ao facto dele fumar desde muito jovem) fez com k pensasse k também iria perder o meu avô. Mas Jesus não permitiu k isso acontecesse e o meu avozito arrebitou novamente.
    Porém, o vício do tabaco foi mais forte, ele voltou a fumar e, meses depois, voltou a ir parar ao hospital. Quando finalmente regressou a casa, achei k estava na hora de ter uma conversita de neta para avô, para o fazer ver o quanto ele era e é importante para mim.
    Abraçámo-nos e chorámos e o meu Joquenito (é assim k eu o trato) deu-me a maior prova de amor que eu podia receber... deixou de fumar!
    Para quem fumava há mais de 60 anos, tendo feito várias tentativas infrutíferas para deixar esse vício, deixá-lo aos 83 anos por amor à neta, deixou-me verdadeiramente feliz.

    Obrigada avô por existires... adoro-te!

    ResponderEliminar
  8. Eu resta-me deixar-vos o meu obrigado por entenderem tudo o que escrevi. Não foi puxar ao sentimento, mas os sentimentos a puxarem por mim. Agradeço a Deus todos os dias por ter desse lado amigas como voces e uma família como a minha.
    Um beijinho para todas de gratidão.

    Para a minhas irmãs e xubinha que posso dizer???são os meus faróis, aqueles que me iluminam sempre em todos os momentos, estando sempre lado a lado dando luz ao meu coração.

    Ps: nana fizeste a titi chorar às 6e meia da manhã *_*

    ResponderEliminar

As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável.
Madre Teresa de Calcutá