O olhar embranquece no tempo que lhes foge…
É vago, triste,
E esfumaçasse nas paredes alvas, sempre iguais.
São vidas ancoradas à força
Como barcos encarquilhados e velhos
Esquecidos num cais…
A esperança não existe.
Foi ao fundo.
Tal como a memória
Que risca a negro retalhos gastos das suas histórias…
Débil é o fio que os prende à vida.
Cheiram a terra envelhecida pela erosão
A seiva morna e lenta
Que espera o fim anunciado e desejado
do tic-tac do seu coração.
Mas algo persiste e insiste
Em perdurar
Algo que não envelhece, nem embranquece
Não morre e se eterniza…
Algo que não perde o foco e ilumina muito para além
Do entardecer da vida…
Algo que descerra as grades onde hibernam as sementes
Irrigando todos os canais,que sobram
do que resta da sua condição de ainda ser gente.
Um “algo” que se chama amor.
Amam num trémulo e carente abraço;
Num sorriso que se esforçam por inventar
E calam a dor, silenciam o pranto
E amam até os que se esquecem ou não os sabem amar…