“Percorremos o caminho para a santidade.”
Esta frase iniciou o pequeno discurso – da D. Maria Ângela – para assinalar o reencontro de peregrinos do grupo de Alcácer do Sal no domingo passado.
Ainda que inconscientemente, demarquei-me desta frase. Enderecei-a numa viagem sem um remetente definido, mas vários rostos e nomes se projectaram na minha mente; pessoas com obra feita e outras a quem lhes reconheço determinação suficiente para as fazer; pessoas que do seu interior resplandece um luzeiro iluminando o caminho do próximo; pessoas que tocam pela força da palavra; abraçam, amam, e doam o tempo numa entrega que mais parece que os seus dias se expandem numa multiplicação das horas…
Não me identifico com tudo o que está nesta lista. Não sou luz, não tenho o poder da palavra, reconheço-me trapalhona na gestão do meu tempo, fico ansiosa quando estou em falta e penalizo-me como um carrasco quando falho. Esta sou eu!
Numa tentativa de melhor entender esta vertente do caminho relembrei a 1ª Carta de Pedro1,16 onde se lê assim: “Sede santos porque Eu sou Santo”.
A conotação implementada nesta frase é de firmeza, não soa apenas a um convite à santidade e não tem como alvo apenas alguns. Incentiva-nos – eu incluída – à obrigação de trilhar um caminho alicerçado na Sua Palavra, vigiando constantemente a nossa conduta, endireitando as nossas veredas para que Deus rompa e implante no nosso coração a Sua Omnipotente presença. Uma presença de Luz, de amor, de paz e de confiança. Presença que se revela quando nos deixamos recrutar e incluir nos Seus planos.
E aqui e ali começo a rever-me nesta tentativa de entendimento…
“Mas agora que estais libertos do pecado e vos tornastes servos de Deus, produzis frutos que levam à santificação e o resultado é a vida eterna.” Carta aos Rm 6, 22
Fomos libertos – eu também – do pecado e “empurrados” para um estado de graça, por Cristo, que nos remiu através da Sua morte vitoriosa. Somos Seus servos, Seus filhos, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, o que nos dá uma responsabilidade de tentar ser à Sua semelhança. O esforço é permanente e longe de ser fácil, mas compensador através da linha que se estreita entre nós e Deus.
É alegre esta tomada de consciência de que afinal estou neste desafio ímpar de seguir os Seus passos, apesar dos meus serem tão vacilantes; de seguir a Sua doutrina, muito embora nem sempre a entenda na Sua plenitude; de fazer obra, ainda que muito pequenina e quase insignificante aos olhos do mundo.
Não me posso assoberbar à ideia de que não sou capaz rendendo-me à minha pequenez sem antes tentar. Quero continuar no Seu caminho para que Jesus permaneça no meu. Ainda que reconheça que nada sou...
Dulce Gomes
“Quem recusa aos outros a sua pequenez, comete um dos mais infelizes gestos de prepotência. Querendo-se sem falha, será o mais incompleto dos seres. A tua pequenez é enorme. Nada te pode vencer. Não recuses nenhum dos teus limites, só eles dizem a grandeza do que tens.”
Daniel Faria