"Somos anjos duma asa só e só podemos voar quando nos abraçamos uns aos outros."

Pensamento de Fernando Pessoa deixado para todos os que estão na lista abaixo e àqueles que passam sem deixar rasto. Seguimos juntos!

OS AMIGOS

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

AMIGOS PEREGRINOS A CAMINHO



Os nossos amigos: 
João, Bia e Fernando


Mais uma vez neste mês de Outubro tenho amigos a peregrinar a pé até Fátima.
O João, o Fernando e a Bia, uma Senhora que se juntou a eles.
O primeiro passo foi dado ontem e se bem os conheço com a boa disposição que lhes é característica. A chegada está prevista para dia 11 de Outubro.
Meus amigos, as palavras ficam aquém do meu sentimento; não consigo expressar a minha alegria pela vossa ida tampouco será fácil de entender a força duma amizade quando nasce através do amor de Deus. 
Caminho convosco à distância; Caminho numa oração permanente endereçada à Mãe que tantas vezes já nos viu chegar juntos ao seu Santuário na peregrinação de Maio; Caminho em sintonia com o vosso esforço quase sentindo o calor que vos abrasa, os pés doridos, o cansaço, mas partilhando e entendendo o que vos move e impulsiona a deixar para trás o conforto e família: a fé e a confiança em Maria como intercessora das nossas causas e como Mãe bondosa e poderosa, da qual já recebemos tantas graças maravilhosas.
Os vossos pés, rezam, dão testemunho e evangelizam à vossa passagem. 
Eu, nós, estamos acompanhando cada passada vossa em espírito, coração e mente. 
À chegada, quando o vosso corpo cansado se apoiar no bordão para ajoelhar aos pés da nossa Mãe, sei que irão entregar-nos a nós também.
Obrigada amigos e que nossa Senhora vos acompanhe.

Dulce Gomes

terça-feira, 4 de outubro de 2011

ORAÇÃO DE S.FRANCISCO DE ASSIS

Este vídeo foi filmado no dia 3 de Julho de 2010 na Igreja Matriz de Sines.
Porque foi um dia marcante na minha vida ao receber uma das maiores bênçãos de Deus, o meu casamento na Igreja, partilho hoje por ser dia de S. Francisco de Assis.
Que à sua semelhante nos entreguemos à vontade do Pai fazendo-nos instrumentos da Sua vontade.


Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna...

sábado, 1 de outubro de 2011

RENDIÇÃO


O meu mundo...
é feito de páginas amarfanhadas pela rendição
Tão amachucadas como os anseios
 Sonhos e desejos
Escritos pela minha mão...
São como velas em riste
Onde me aventuro a esperar
 O toque do vento que insiste
Em não me querer manobrar...
Mas eu quero! 
E neste tanto querer
Hasteio a bandeira da esperança
Num agitar quase dolente
E ainda que o meu barco não ande
A minha alma sente-se guiada
E empurrada, segue em frente...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PARABÉNS SOBRINHA QUERIDA



Quisera fazer-te um poema
Mas faltou-me a inspiração
Parece que me deu uma "branca"
Por falta de oxigenação

Estou num sufoco danado
Nada encaixa nem faz sentido
parece que tudo me foi sugado
E está irremediavelmente perdido

E assim vou neste arrasto
Sem inspiração: tema tão gasto
Porém, teimo escrever para ti

Abro-te os braços num abraço
Sabes que moras no meu espaço
"Xubinha querida", parabéns da titi

domingo, 25 de setembro de 2011

A VIDA É...UMA VIAGEM...


A vida é uma viagem. Uma espécie de peregrinação que deve ter como base o aproveitamento dessa dádiva que Deus nos deu em proveito próprio, com o livre arbítrio que nos é concedido.

Cabe-nos escolher para onde vamos; os valores pelos quais nos regemos; as nossas prioridades e decisões; cabe-nos escolher a firmeza da nossa passada e os pés que caminham connosco.
Como todas as viagens o seu desenrolar e desfecho é uma incógnita. Por mais rasurado que esteja o mapa com a trajectória a seguir, abalroam-se sempre imprevistos que modificam rotas, conduzindo-nos a experiências, algumas não desejadas pelas dificuldades dos trilhos com que nos deparamos.
Contudo, essas alterações de rumo enriquecem a nossa viagem. Cada encruzilhada, paragem forçada ou trilho desviado, por mais difícil que seja, obriga-nos a adaptar as nossas pegadas ao piso e a superar as dificuldades até regressar de novo ao caminho direito, contribuindo para o acumular duma bagagem crescente que nos dá um traquejo que se há-de revelar em alguma circunstância futura, uma mais-valia.
Bem sei que existe a tendência para mostrar só os passos vantajosos. Os outros: os dolorosos, os incertos, os errados, preferimos deixá-los na penumbra das nossas prateleiras interiores, de preferência bem recalcados...
No entanto, também lhes podemos dar uso. Como? Partilhando sem receio de admitir todos eles; pondo-os como exemplo e ao serviço de outros que estão pisando e tropeçando nos mesmos obstáculos; demonstrando como fomos capazes de modificar, emendar; demonstrando que também já nos sentimos fracos e atravessamos desertos impensáveis, e saímos deles; demonstrando que já sentimos dor, sede, frio e não sucumbimos.
A melhor forma de provar a alguém que algo é possível, é abrir o nosso próprio mapa da vida  no ponto certo e lê-lo em voz alta numa descrição sincera e clara para que sirva de estímulo a quem espera a oxigenação da sua esperança.
Mas frisando, que há trevas e luz, amor e ódio, bem e mal e é precisamente aqui que temos que ser firmes, concisos e precisos nas nossas escolhas.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

BLOGUE REMOVIDO?



Ontem ao tentar fazer uma página nova no meu blog, ele simplesmente desapareceu. Fiz várias tentativas para o encontrar e só me aparecia uma mensagem: O seu blog foi removido.

Durante o tempo em que fiquei sem ele, muita coisa me passou pela cabeça, mas o que predominou cá dentro foi uma terrível e doída sensação de perda. 
Durante uma hora e tal - tempo de sobra para moer os neurónios - revivi toda esta aventura de três anos: os comentários dos amigos, os seguidores, o meu crescimento de fé, as minhas postagens...
Foi quando pensei nas postagens que a angustia triplicou. Nunca tive o cuidado de copiar e guardar tudo o que escrevo, achei sempre que não era tão importante assim. Até a minha "poesia" não está devidamente salvaguardada. 
Relembrei quantas vezes - durante estes três anos - pensei em fechar este degrau e sempre reconsiderei; relembrei as reflexões saídas das minhas mãos, mas arrancadas do mais profundo do meu ser com sorrisos e lágrimas à mistura; mas acima de tudo do objectivo que impulsionou o seu começo: a ânsia de partilhar, dar a conhecer Jesus e confirmar a Sua actuação em todos aqueles que se abrem para o escutar e aceitar o Seu plano.
E foi neste ponto que me assaltou a ideia de que talvez fosse de Sua vontade fechá-lo. 
Vazia, parecia que me tinham sugado Deus da alma, senti-me fraca e perdida...
Resignada mas desafiadora disse a Jesus:
"Vou fazer uma última tentativa, se o blog não aparecer tomo como certeza de que é de Tua vontade e nada mais farei para o reaver"
Quando o abri, ele apareceu intacto, excepto a postagem que tinha quase acabada. 

Estou pensando e tirando ilações do sucedido e ainda que não saiba a causa de tudo isto, sei um dos efeitos: vou copiar todos os pedacinhos nele contido e guardar, porque eles contam passo-a-passo o trilho que piso. Os meus tropeços, vitórias e derrotas, duvidas e confirmações. Falam do meu crescimento como pessoa e como cristã e do meu amor crescente por Jesus e a vontade de O seguir mais e mais...

Aconselho-vos meus amigos - se ainda não o fizeram - a fazerem cópias das vossas preciosas postagens. Porque nunca se sabe o que pode acontecer.



terça-feira, 20 de setembro de 2011

SEDE DE INFINITO



A sede de infinito, a vontade de abraçar a imensidão, a necessidade de sentir o pulsar da terra e do ar; sentir o vento, o sol na cara; olhar o céu, abrir os braços para abarcar o universo. É a vida dentro do meu mundo. A luz que entra, se instala e permanece, mas extravasa porque não a quero conter. Quero doar, dar a conhecer o que mora no meu “dentro”; dizer que vale a pena partilhar o nosso pouco, porque ele é tanto para os que pouco têm. Gritar que há sempre alguém que nos espera e a quem fazemos falta.
Ao nosso lado, caminham expressões de angústia, olhos vazios de esperança, marcados pela solidão e pelas carências. São rostos semi-apagados que passam pelos dias semi-vazios…
É preciso agir, romper este meio-termo e acender a tocha dos corações entorpecidos pelo marasmo, que lhes rouba a alegria e a força para continuar a lutar. 
É bom vê-los emergir das profundezas onde se acorrentam, reagir ao estímulo da Palavra, encandear-me com a luz que se reacende nos seus rostos.
É bom assistir à renovação dos seus olhares apagados e ler-lhes alguma alegria.
É bom quando as suas mãos trémulas nos aconchegam o rosto e nos enlaçam num abraço profundo sussurrando baixinho: “É tão bom, venham todos os dias…”

Deixar-me revolver por Jesus e aceitar o Seu plano é saciar a minha sede de infinito, abarcar o universo; é abraçar a vida e sentir a vida num abraço.

Um abracinho para a minha mana Bé e para a Cinda com quem reparto este "plano". E um muito especial para todos os nossos "meninos".




quarta-feira, 14 de setembro de 2011

ALMA COM ASAS




Inerte na rocha, olhando o infinito
Embranqueço na espera da Tua vinda.
Não saio do mesmo lugar.
Não quero, não posso
Sei que não vais tardar
Porque sabes que espero
Nesta ausência que finda.
Qual albatroz
Bato as asas da minha alma
Chamando a Tua atenção...
Pássaro louco
Rasgando as grades do meu peito
para sobrevoar o Teu leito
Sem sequer sair do chão...
Não sei se Te chame
Céu ou estrada
Rio ou mar...
Chamo-te meu Tudo, porque conTigo
Sou alma com asas
Que permanece estática e calada
mas consegue levitar...
 E nesse momento sou foz
onde desagua a Tua Palavra/Voz
Reconstruindo o meu pensar...

domingo, 11 de setembro de 2011

HOJE SÓ QUERO...

recados orkut


Hoje, Senhor,
Só quero sentir-me criança 
aninhada nos Teus braços...
e deixar à porta desse abraço
tudo o que me impeça de O sentir...

Dulce Gomes 


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

FALANDO DE (IN)JUSTIÇA

“Senhor, Tu és demasiado justo para eu me queixar de Ti.
Mas desejaria debater contigo sobre a justiça:
Porque alcançam os maus tanto sucesso e os pérfidos vivem tranquilos na sua malvadez?”Jr 12,1



Confesso que já levantei este pensamento para Deus e o interpelei no mesmo contexto.
Sempre que me deparo com situações injustas e incompreensíveis aos meus olhos, faço-o.
Porém, tenho a consciência de que esta indignação é fruto da minha pequenez que me faz ficar refém apenas do que vejo e a minha alma não alcança. Aprisiono-me num misto de impotência inconsolável quando a balança pende apenas para um lado e vitimizo-me quase inconscientemente ao mesmo tempo que não vergo na vontade de equilibrar os dois pratos.


Lendo Jeremias duma forma salteada – como gosto de fazer – baixei o meu olhar no capítulo 13 e li que o Senhor lhe ordenou que comprasse uma faixa de linho, a cingisse à cintura e – sem a meter na água – se metesse a caminho das margens do rio Eufrates, a fim de a esconder na fenda duma rocha. Jeremias cumpriu essa ordem.
Passados uns dias o Senhor ordenou-lhe que lá voltasse para retira-la da fenda. Espantado, quando olhou a faixa, constatou que ela havia apodrecido e não serviria para mais nada.
Foi então que o Senhor lhe disse: 
“Da mesma forma farei apodrecer a soberba de Judá e o grande orgulho de Jerusalém. Este povo perverso, que recusa ouvir as minhas ordens, que segue a obstinação do seu coração e vai atrás de deuses estranhos para os servir e adorar, tornar-se-á semelhante a esta faixa, que para nada serve.”Jr 13,8-10


Medito neste meu debate interior sobre justiça, onde tantas vezes vejo prevalecer a força e o poder dos fortes em detrimento dos mais fracos; medito na balança desequilibrada que me faz bradar aos céus e nas “faixas” adornadas em torno de tantas cinturas opulentas e subjugantes.
Mas acima de tudo, medito nesta justa justiça de Deus que enche de ineficácia os “tesouros” assoberbados de orgulho, utilizados para amordaçar e ferir os mais fragilizados…  

E encontrei nestas Palavras a resposta e a força para confiar, apesar da limitação do meu entendimento.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

É BOM TER AMIGOS

É bom ter amigos!
Há quem defenda que a amizade é um sentimento com tendência para a extinção natural que sobrevêm do corre-corre diário onde se cultivam competições aguerridas por um “espaço ao sol” e pela necessidade de afirmação que nos é imposta impiedosamente – pela sociedade como um convite – quase forçado – a que cada um olhe pelo próprio umbigo.
E cá estou eu remando contra a maré: eu acredito na amizade porque acredito na capacidade de mudança das pessoas.
Não teremos todos cá dentro um lado bom e um menos bom? Não seremos nós capazes do melhor e do pior?
Acontece que algumas pessoas cultivam e alimentam em demasia o lado menos bom. Vá lá saber-se porquê. Talvez fruto duma luta quase inconsciente pela tal necessidade de afirmação que os leva a uma postura de auto-defesa em relação aos outros; talvez confundam gestos de afecto com fraqueza humana; talvez estejam formatados pelo ambiente que os rodeiam onde todos se revestem duma capa de dureza que só deixam cair na sua solidão e silêncio…talvez, talvez…
Gosto de “desafiar” essas almas de carapaça, bater-lhes na pedra onde se resguardam e mostrar-lhes que existe mais para além do que já vivenciaram.
Existe da minha parte, a boa vontade de me mostrar enquanto pessoa cravada de defeitos, os quais tento atenuar ou mesmo abolir, mas que exponho com a verdade e como meio de provar que a minha moral vem da minha experiência enquanto ser imperfeito.
Depois duma primeira abordagem, penso quase sempre, que irei levar um chute no traseiro pelo arrojo de tocar e revolver terrenos cheirando a mofo de tantas poeiras assentes pela comodidade ou falta de coragem de os remexer, mas dou graças a Deus por poder comprovar que vale sempre a pena fazê-lo.
Um amigo não é aquele que diz o que o outro espera para cair em graça.
Um amigo é aquele que respeita, escuta e interpreta cada silêncio, por mais duro e prolongado que ele seja.
Um amigo é aquele que lê nos olhos a expressão que um sorriso esconde.
Um amigo sabe construir nas entrelinhas um trampolim para chegar aos recantos mais profundos e escondidos da alma.

A todos os que são trampolim e deixam que eu construa um para lhes chegar, fica um abraço em Cristo. Só Ele nos instruí detalhadamente em cada avanço; só com Ele seremos capazes de encetar, construir e cimentar uma amizade. 
Sim, amizade, porque ela existe!

"Um amigo fiel é um bálsamo de vida..."Sir 6,16

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

BARRO OU PEDRA?





É quase um cliché dizer: “Sou assim e quem quiser tem que me aceitar como sou.”
Como sou, como?
Física ou interiormente? A qual damos primazia?
Se é verdade que cada um é livre – seja qual for o contexto – de ser e mudar ou não, também é verdade que se nota um maior empenho quando se trata de mudar por fora, fazendo desse invólucro uma espécie de cartão-de-visita que vai à frente para nos abrir as portas da aceitação. Mas não temos a mesma euforia quando somos chamados a mudar a nossa roupagem interior… e esse alerta é-nos dado quando somos apanhados em falta num gesto, palavra ou atitude e então lá vem o “sou assim” para justificar tudo, como se fosse um defeito genético e sem cura. 
Esquecemo-nos de que somos uma obra inacabada e imperfeita mas que podemos submete-la à modelagem deixando lapidar cada aresta até que fique resplandecente.

O Senhor disse a Jeremias: “Vai, desce à casa do oleiro e ali escutarás a minha palavra.”Jr18,1
Jeremias foi encontrar o oleiro modelando um vaso num torno e sempre que o vaso não lhe saia bem, retomava o barro nas suas mãos e recomeçava…

Quando aceitamos passiva e arrogantemente os nossos defeitos, contribuímos para que em vez de nos deixarmos modelar como barro, nos transformemos em pedra endurecida onde não entra nem a mão nem a luz do Senhor.  

Hoje reflicto no livre arbítrio da escolha: Ser barro ou pedra?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CONVERSAS DE PAI






Já aqui falei muito do meu pai. Homem curtido pelo salgadiço do mar e coração doce, fruto de muitas vivências que ele soube arrecadar e usá-las para seu crescimento enquanto ser humano. Esta mistura dá-lhe um toque temperado e genuíno que transparece sempre nas suas atitudes e palavras.
Hoje fui com ele ao hospital para que lhe fosse feito um exame. A sala estava repleta de gente mas o silêncio era ensurdecedor, quebrado apenas pela televisão que todos fingiam ver e pelo tilintar do chamamento electrónico que nos faz levantar da cadeira como autómatos. Ao nosso bom-dia foram poucos foram os que retribuíram. Sentamo-nos e o meu pai – como é hábito – não demorou muito tempo até quebrar o gelo silencioso do ambiente. Começou com uma frase circunstancial endereçada para mim, mas rodou um olhar extensível aos presentes, numa espécie de convite à conversa. Um senhor olhou-o atentamente e sorriu e depressa se deu aquele contágio falante tão peculiar na sua presença. 
O meu pai, agora já encorajado pela adesão, voltava as atenções para os mais renitentes e o silêncio foi substituído por uma acesa troca de experiências de vida onde não faltou a emoção.
Ele é um contador das histórias que fazem morada na sua própria história. Conta-as com uma simplicidade que lhe é característica onde não cabe nem vaidade nem receio, muito menos alguma espécie de azedume ou complexo pelo que foi ou é.
Calmamente passeou pela sua infância e adolescência; pela sua experiência enquanto filho e enquanto pai. E foi precisamente neste último patamar que os seus olhos ficaram marejados e olhando para mim disse: “as minhas filhas são a melhor coisa que Deus me deu”
Olhei para o lado tentando disfarçar…
É que o meu pai raramente se refere a Deus como um dador de graças, até aqui dizia o mesmo mas referindo-se à sorte como sua aliada e isto comoveu-me...
Sim, somos uma graça de Deus. E veio de Deus a graça de ter um pai assim...
Com tudo isto escusado será dizer que quando nos despedimos a sala ficou de conversa bem implementada e a despedida do meu pai foi feita um por um como se conhecesse todas as pessoas desde sempre. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ONDE COMEÇAM E ACABAM OS NOSSOS LIMITES?






Onde começam os nossos limites?

Formamos opiniões sobre quase tudo e temos atitudes que de tão iguais e repetidas, não passam duma retórica de gestos sincronizados. Receamos destoar das maiorias o que nos leva a aceitar os limites dos outros num encaixe do “socialmente correcto”, rejeitando à partida tudo o que fuja do “dito normal” sob pena de sermos censurados ou excluídos das maiorias.
Um limite é tantas vezes apenas uma barreira invisível sinalizada pela nossa mente que se apressa a arrematar com um ponto final parágrafo o que deveria ser um ponto de interrogação.
 Se há lição que aprendi é a de que o meu limite tem que ser um reflexo do que Deus dita no meu coração e não o que a minha mente me impõe sobre coação ou influência.  
Se o meu coração se dilata para aceitar e entender as diferenças, se revolta contra as injustiças, se chora de tristeza, se ri de alegria; se recebo o alerta com as directrizes que mais me tocam, não posso abafá-las nem ficar cativa pelo receio de ser rotulada de qualquer coisa. 

No confronto com as diferenças existe um desafio de superação e renega-lo, é não me conceder a oportunidade de exceder os meus limites que podem ir: desde quebrar a indiferença em relação a algo ou alguém, até um uma meta que se atinge porque tivemos a coragem de dar mais um passo.

A luz que me ilumina o dia, a alma, o caminho; que me faz inspirar de alegria e louvar a Deus, pode surgir do meio do nada, de alguém a quem o mundo esqueceu e a sociedade ignora, mas para isso tenho que me curvar, ficar ao seu nível sem deixar que as correntes da sociedade me prendam a acção.  
Quem se deixa formatar pelo mundo não é livre.

Liberdade é deixar que os nossos limites estiquem na vontade de fazer, dar e chegar mais além; é ter o arrojo de ser mais tolerante, mais amigo, mais humano; é não me coibir de dizer em voz alta que aspiro mais às coisas do Alto do que às terrenas.
Faz-me bem olhar para trás e ver que, no lugar de muitas barreiras outrora intransponíveis fui capaz de construir pontes para as ultrapassar. Embora tenha sempre presente esta sensação de que poderia ter derrubado muitas mais...

sábado, 20 de agosto de 2011

ASAS DE SILÊNCIO




Sou…
Pouco mais de nada
Não trouxe comigo estrada
Nem caminho delineado
E como gota de água
Fluo nesta corrente
Diluída num mar de gente
Tantas vezes encrespado…

Sou filha da maresia
Permeável em cada filamento
Por mais longa que seja a travessia
Não desvanece nem perece
a tocha e a rocha 
onde me sustento

É na tormenta mais atroz
Quando tudo se parece finar
Que a Palavra se faz chão e céu
Alma e voz...
e nas asas deste silêncio 
 há um tudo em mim, a renovar...